Fiquei grávida na primeira relação
Na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Marabá (Zona Leste de Londrina), as jovens grávidas com menos de 20 anos representavam, em dezembro de 2008, mais da metade das gestantes atendidas. Atualmente, segundo informações da direção, elas representam cerca de 20% dos atendimentos. Jessica, de 18 anos, é um caso que retrata a realidade de muitas moradoras da região. Ela ficou grávida pela primeira vez aos 15 anos, e depois novamente aos 16. Os filhos são de pais diferentes, que não assumiram suas responsabilidades. Hoje ela vive com a mãe e outras sete pessoas, entre adultos e crianças, com a renda do Bolsa Família. ''Os dois estão registrados só no meu nome'', conta.
No auge da adolescência, Jessica teve que aprender na marra que ser mãe é muito mais complicado que brincar de boneca. ''Mudou tudo na minha vida. Antes eu estudava, ficava na rua até a hora que queria, hoje eu fico só em casa, cuidando das crianças.'' Como a maioria das jovens, ela revela que, apesar dos alertas da mãe, nunca achou que pudesse engravidar. ''Eu não levava muito a sério. Fiquei grávida já na primeira relação.'' Jessica conta que parou de estudar na 6 série e nunca teve aula de educação sexual.
Aos 28 anos, Kelly Rodrigues dos Santos procura incentivar a filha, de 10 anos, a priorizar os estudos antes de conhecer a maternidade. ''Eu engravidei pela primeira vez aos 17 anos. Eu tinha noção do que podia acontecer comigo, e mesmo assim não me cuidava. A força que eu não tive dos meus pais quero dar à minha filha, para que ela estude, se forme, arrume um bom emprego e só depois pense em casar e ter filhos.'' Há 1,7 ano Kelly teve mais um filho, antes de 'fechar a fábrica'.(S.L.)





