Mais antiga instituição de longa permanência para idosos de Londrina, o Asilo São Vicente de Paulo começou a funcionar há 63 anos. Lá, alguns moradores estão há mais de 20 anos. A maioria é do sexo masculino e perdeu vínculos familiares.
  O aposentado Pedro (nome fictício), 71 anos, é um destes senhores. Morador do local há seis anos e sem ver a filha há mais de um ano, ele preferiu morar ali pois não convivia bem com o genro. ‘‘Sinto saudades, mas tenho que esperar a visita dela, já que não posso sair’’, diz.
  A condição social de Lara Roman Fernandez, 92, moradora de uma instituição particular, é diferente. A saudade dos tempos em que morava com o filho – já morto –, porém, é a mesma. Ela veio de Santa Catarina trazida pelo neto, responsável por ela. Em cima da cômoda, a foto da bisneta traz lembranças. ‘‘Tinha uma vida independente e fiquei chocada quando cheguei aqui’’, conta. Na casa, porém, encontrou novas atividades. ‘‘Ajudo a cuidar dos outros moradores, distribuo salmos e uma carta escrita por outra moradora, que retrata a situação enfrentada pelos idosos hoje em dia.’’
  A enfermeira Joanita Castilho Ramalho Lopes diz que as famílias que procuram as instituições visam minimizar os riscos de manter o idoso em casa. ‘‘Eles têm expectativa de que ‘nada aconteça’. Nós, ao contrário, queremos que muitas coisas aconteçam na vida dessas pessoas. Nosso objetivo é que recuperem a autonomia.’’ (C.A.)

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