Fios de alumínio são apreendidos em ferro-velho
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sexta-feira, 19 de agosto de 2005
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O vandalismo contra transformadores e cabos da rede elétrica é um crime cujo prejuízo é repartido por toda a sociedade. Os fios de alumínio e cobre comercializados irregularmente com ferros-velhos são retirados da rede, o que provoca interrupções no fornecimento de energia. O custo da depredação reflete na tarifa e é repartido pelos consumidores. Um lote apreendido num estabelecimento na Área Central da cidade demonstra que a prática ilícita é comum, mesmo com a repressão policial.
Cerca de 290 quilos de cabos de alumínio foram recolhidos num ferro-velho da Vila Casoni. O proprietário Otacílio Pires Tomaz, 73 anos, alegou que o material ilegal pode ter sido comprado em meio a outros produtos. ''Temos um caminhão que recolhe resíduos de alumínio em diversas cidades da região. Não compramos materiais irregulares. O que pode ter acontecido é que cinco quilos do fio podem passar despercebidos em meio a cinco toneladas de alumínio'', defendeu-se.
De acordo com o delegado João Aquino, os fios são levados aos ferros-velhos por catadores de papel. ''Eles são apenas as 'formiguinhas' no processo. Estamos focando nos receptadores e temos identificado quem faz a receptação dos produtos que, na maior parte, são derretidos ou vendidos para outras cidades'', explicou.
Os cabos de alumínio são utilizados na rede de distribuição de energia. A Copel estima que quatro toneladas de fios foram furtadas apenas no ano passado. O depósito da empresa, localizado no Parque das Indústrias Leves (Zona Leste), abriga atualmente toneladas de fios de alumínio e de capas de transformadores. ''A carcaça de ferro é abandonada. O que os vândalos querem são os rolamentos e bobinas de cobre'', esclareceu o coordenador de equipe da Copel, Rivaldir Andrade.
Em cerca de três meses, o vandalismo resultou em pelo menos 50 toneladas de cabos e 100 capas de transformadores destruídas. O material é de 99 cidades da região atendidas pelo escritório regional da Copel em Londrina, incluindo Apucarana e Cornélio Procópio. ''O prejuízo é da população, já que o que poderia ser investido em expansão da rede é usado em consertos. E o custo ainda reflete no valor da tarifa'', revelou Andrade.


