Finanças dos camelôs serão analisadas
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quinta-feira, 18 de março de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
A Comissão de Finanças da Câmara de Vereadores de Londrina irá analisar as contabilidades das organizações não-governamentais (ONGs) Canaã e Associação dos Camelôs de Londrina (Acal), administradoras do Shopping Popular, localizado na Área Central. ''Como há dinheiro público envolvido (a prefeitura paga os R$ 33 mil mensais do aluguel do prédio do shopping), é necessário apurar como está a situação financeira do empreendimento'', apontou o presidente da comissão, Rubens Canizares (PHS).
Numa assembléia realizada no Shopping Popular no início da noite de ontem, ficou acertado que os presidentes das duas ONGs, Ulisses Sabino Nogueira (Canaã) e Ana Maria Costa Gomes (Acal), comparecerão à Câmara na próxima terça-feira para apresentar os documentos de controle da entrada e saída de dinheiro.
Segundo Canizares, a análise visa apurar questões polêmicas do Shopping Popular, como a contabilidade da praça de alimentação instalada no terceiro piso e a venda de 11 boxes que não constavam do projeto inicial e que foram montados em espaços livres no segundo piso. Segundo Nogueira, as duas ONGs venderam os boxes para ''gerar renda''.
''Os espaços estavam vazios e decidimos aproveitar'', justificou o presidente. Ao todo, a venda rendeu aos cofres das ONGs R$ 60 mil. De acordo com Canizares, os vereadores também investigarão se realmente existiram outras vendas de boxes e se procedem os boatos de que alguns comerciantes seriam proprietários de mais de uma banca, duas situações proibidas pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
À tarde, na sessão da Câmara, Canizares chegou a falar na hipótese de instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) sobre o caso, mas depois minimizou a idéia. ''A CEI seria apenas a última alternativa'', afirmou.
Na quarta-feira da semana passada, a luz no Shopping Popular foi cortada devido à falta de pagamento. Segundo Nogueira, os camelôs ficaram devendo R$ 7 mil à Copel. Ele citou que os comerciantes têm outras dívidas, como R$ 58 mil em condomínios atrasados. ''Muitos não pagam porque não têm recursos. A inadimplência é um problema.''


