Finalmente, um teto para chamar de seu
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sábado, 03 de janeiro de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - O programa Minha Casa, Minha Vida possui o mérito de ter mudado a realidade de várias pessoas originárias de áreas de risco ou insalubres, moradores em situação de precariedade habitacional ou vulnerabilidade social, idosos e portadores de necessidades especiais de baixo poder aquisitivo que não conseguiam arcar com as prestações acima da sua capacidade de pagamento.
Desde o início do programa até o primeiro semestre de 2015 serão destinadas 3,1 milhões de casas no total em todo o Brasil e 210 mil em todo o Paraná. O programa determina que 3% desses imóveis sejam destinados para idosos e 5% para pessoas com deficiência. Em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), essa realidade não é diferente e várias pessoas com esse perfil foram contempladas e conquistaram o direito da casa própria.
São famílias como a da trabalhadora rural aposentada Maria Aparecida Pereira Rocha, de 67 anos, e de seu marido, o carpinteiro Américo Rocha, de 64 anos, que no ano passado conseguiram uma casa no Conjunto Jamil Sacca, em Ibiporã. Maria relatou que sobrevive com o salário mínimo que recebe de aposentadoria mais o salário de carpinteiro do marido.
"Antes de vir para cá nós pagávamos R$ 450 de aluguel. O dinheiro que sobrava não dava para comprar muita coisa para a casa. Comprávamos produtos de pior qualidade e comprávamos em menor quantidade. A comida precisava ser comprada assim que recebíamos o dinheiro, senão não sobrava", declarou. Ela explicou que hoje paga apenas R$ 43 de prestação da sua casa. A diferença do dinheiro tem sido bastante importante para a melhoria da qualidade de vida do casal. "Hoje dá até para fazer um churrasco de vez em quando. A gente sabe que daqui a 10 anos teremos quitado todas as prestações e a casa ficará para a gente", afirmou seu marido.
Segundo a secretária de Assistência Social de Ibiporã, Ana Cláudia Vieira Martins, das 496 casas, aproximadamente 20 famílias de idosos e 25 famílias de pessoas com deficiência conseguiram um imóvel no Conjunto Jamil Sacca. Ela também destacou que das 256 casas no Conjunto Miguel Petri foram entregues 11% dos imóveis para idosos (28 unidades) e 8% para pessoas com deficiência (20 unidades). No Conjunto Said Mustapha Issa, das 256 unidades disponibilizadas, 14,8% (38 unidades) foram destinadas para idosos e 10,1% (26 unidades) foram reservadas para pessoas com deficiência.
A secretária explicou que o percentual é maior do que exige a lei porque, depois do sorteio das casas para os idosos e para as pessoas com deficiência, os nomes que não foram sorteados dentro desse percentual exigido voltam para o sorteio geral. Isso possibilita que mais pessoas nessa condição sejam contempladas.
Foi o caso de Catarino Alexandre de Oliveira, de 37 anos. Ele revelou que se candidatou a uma casa para pessoas com deficiência, já que não possui uma das pernas. Como ele não foi sorteado sob esse critério, seu nome retornou ao sorteio porque ele se enquadrava como uma pessoa que vivia em uma área de risco.
"Eu morava na beira de um rio e mesmo assim tinha que pagar R$ 250 de aluguel. Hoje pago uma prestação de R$ 34", relatou. Oliveira afirmou que a diferença ajudou no custeio de suas despesas, mas mesmo assim disse que sofre dificuldades para se manter. "Depois que fui atropelado por um trem, perdi a perna e perdi o meu emprego. Hoje sobrevivo com um salário mínimo da aposentadoria e tenho muitas despesas com remédios", queixou-se.
Uma pessoa beneficiada por essas reservas foi Carlos Roberto da Silva Filho, de 19 anos, aluno da Apae de Ibiporã. Ele, que sofreu uma asfixia com leite quando pequeno, relata que morou na casa dos irmãos vicentinos dos dois anos até o ano retrasado. "Agora moro em uma casa que é toda adaptada para deficientes", destacou.


