Finalmente, um dia de calma no HU
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segunda-feira, 02 de julho de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Menos de dez pessoas na sala de espera (entre pacientes e acompanhantes), apenas 15 pacientes internados no setor de atendimento para adultos - que costumava ter todos os 26 leitos ocupados e ainda disponibilizar macas em corredores -, e, principalmente, tranquilidade para funcionários e pacientes. Esse foi o quase inacreditável cenário do Pronto-Socorro do Hospital Universitário de Londrina na manhã de ontem, enquanto se iniciavam as obras de reforma do setor.
Segundo o diretor superintendente do HU, Francisco Eugênio de Souza, a redução na procura por atendimento no hospital começou já na quarta-feira passada, dia seguinte à coletiva de imprensa anunciando o início das obras e o atendimento referenciado. O hospital também divulgou a mudança por meio de panfletos distribuídos nos postos de saúde e através de cartazes. ''Acredito que a questão do referenciamento foi bem compreendida pela população. As pessoas estão procurando primeiro as outras unidades de saúde'', afirmou.
O HU só tem atendido casos de emergência e urgência, encaminhados pelos hospitais da Zona Norte, Zona Sul, Siate, Samu e Central de Vagas. As pessoas que procuram diretamente o hospital passam primeiro por uma avaliação de risco e, dependendo da gravidade, não são atendidas. Nesses casos, os pacientes são orientados a procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
Apesar da redução na procura pelo HU, o atendimento nos hospitais da Zona Norte e Zona Sul não sofreu nenhum impacto com esse referenciamento. ''Nós acreditamos que o impacto maior vai ser nos demais hospitais que prestam serviços terciários vinculados ao SUS, porque o HU recebe a maior parte dos encaminhamentos que precisam desse serviço'', afirmou o diretor clínico do Hospital da Zona Sul, Ronaldo Paiva.
Inicialmente, um outro setor está passando por adequações para abrigar temporariamente o atendimento do PS. A transferência para o novo local deve ser realizada até o final do mês. Com a mudança, as vagas nos prontos-socorros serão reduzidas de 49 para 28. Segundo o diretor do HU, a previsão é de que as obras de reforma e ampliação do pronto-socorro sejam concluídas entre 10 e 12 meses.
Dentre as poucas pessoas que aguardavam na sala de espera do PS, houve até gente que aproveitou o espaço para tirar um cochilo. ''Estranhei essa sala vazia. Dá um alívio grande ver assim. Já vim várias vezes e nunca tinha visto uma situação dessas'', comentou Dulce Vioto da Silva, à espera de se submeter a uma cirurgia.
''Trabalho no HU há quase 10 anos, e já havia me acostumado com a superlotação. No primeiro dia de pouco movimento, até comentei que nós teríamos que nos adequar a essa nova realidade'', revelou Vivian Feijó, gerente de enfermagem do PS.
Para ela, a mudança tem proporcionado não só uma redução no tempo de espera, mas também um atendimento mais humanizado e de qualidade. ''Sempre primamos por proporcionar um atendimento de qualidade, mas isso se dava com improvisações, criatividade e principalmente muito esforço e até sacrifício dos funcionários. Agora, isso está se refletindo também na qualidade de vida dos servidores'', avaliou.
O residente de clínica médica Fabrício Nogueira Furtado também estranhou o fato de o setor não estar superlotado. ''A gente estranha o corredor vazio, sem ninguém internado em macas ou cadeiras por dias nesse corredor frio, quando na verdade é assim que tem que ser'', revelou, lembrando-se da época em que chegou a acompanhar um paciente internado em uma maca no corredor por duas semanas.
Para o residente, o ideal seria que o sistema de referenciamento fosse mantido mesmo com o fim das obras. ''Já vi um homem aguardar 24 horas para retirar um abscesso debaixo do braço, sendo que ele poderia ter ido ao posto de saúde. E de repente alguém com um problema mais grave pode ter tido que esperar mais por ter chegado depois dele'', sugeriu. Segundo o diretor superintendente, essa idéia, compartilhada por boa parte dos servidores, vai ser discutida ''no momento oportuno''.


