Londrina - Mãe de Igor e Karina de Castro Santos, respectivamente com 8 e 10 anos, a professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Patrícia de Castro Santos adotou as crianças em 2003 e, desde então, vive com elas uma história permeada pela alegria inerente às melhores relações
familiares.
Irmãos naturais, eles só descobriram o parentesco ao serem adotados por Patrícia, que queria duas crianças e soube pelo juiz da existência dos dois filhos. "O processo foi bem rápido, porque não escolhi características ou idade. Ninguém escolhe como serão os filhos biológicos, mas querem escolher na adoção", comparou.
Para ela, o período de habilitação na Justiça foi importante para refletir sobre a decisão tomada. "As perguntas que precisei responder me levaram a pensar muito no assunto. Achei o processo
necessário", considerou.
A professora acredita que os casos de devolução de crianças adotadas sejam motivados pela relação de "favor" estabelecida entre pais e filhos. "Os adultos exigem uma postura de gratidão por parte das crianças, ao invés de cultivarem uma relação familiar." Para ela, quando as coisas saem do controle, a idealização cai por terra e os pais tomam atitudes extremadas, como a devolução dos filhos. "A criança adotada não deve nada para ninguém. A disputa e o enfrentamento são normais em qualquer família e servem de ensaio para a vida", afirmou.
Patrícia lembrou que a transparência no relato dos fatos relacionados à adoção e o acolhimento de familiares e amigos são fundamentais. "Há pessoas que têm vergonha e não discutem o assunto com os filhos. Não se pode privar ninguém da própria história." (C.A.)

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