A proximidade das festas de fim de ano sempre estimula nas pessoas a valorização de tradições familiares. Este sentimento está influenciando diretamente uma atividade que vem sendo deixada de lado pela automação do mundo moderno: o conserto de relógios antigos.
O proprietário da Relojoaria Grilo, localizada no Centro de Curitiba, José Luís Grilo, especializado em arrumar relógios antigos, diz que aumentou 100% a procura por conserto de carrilhões, relógios pendulares e de mesa. Grilo acredita que, como estas peças na maioria das vezes são fruto de herança, a data é estimulante para que as pessoas decidam recuperá-las. ‘‘Muitas pessoas querem passar a meia-noite ouvindo o tocar dos carrilhões dos relógios antigos e com isto relembrar as tradições de família. Outros querem evitar a vergonha de apresentar um relógio de famíla quebrado aos parentes’’, diz. Grilo está registrando um movimento tão grande neste fim de ano que quem quiser consertar um relógio vai ter de esperar até o ano que vem.
Em outra relojoaria tradicional da cidade, a Joalheria Wolller, na Galeria Tijucas, a procura não é tão grande por consertos, mas por relógios mesmo. ‘‘As pessoas aproveitam a data para presentear com peças de valor, que têm o tradicional som das badaladas’’, diz o proprietário Miguel Woller. Segundo o comerciante, cerca de 20 pessoas passam diariamente para apreciar o som dos relógios, mas poucos se arriscam a levar na hora as peças, que custam entre R$ 700,00 - os nacionais - e R$ 9 mil - alguns modelos portugueses.
Mas nem todos levam para o lado sentimental o aumento das vendas. O proprietário da loja Relicário Antiguidades, Ferdinando Costa, acredita que o aumento de interesse por este tipo de segmento está relacionado ao maior fluxo de dinheiro no comércio, em razão do pagamento do 13º salário. Costa diz que em sua loja, local em que vende relógios antigos entre R$ 400,00 e R$ 7 mil, o número de consertos aumentou em 60%, enquanto as vendas subiram 30%. ‘‘Acredito que isto tenha mais relação com a disponibilidade financeira das pessoas do que com as badaladas dos relógios’’, observa.

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