Condições sub-humanasUm dos objetivos da marcha é exigir o assentamento das mais de 9 mil famílias acampadas em todo o ParanáOs coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Querência do Norte passaram o final de semana preparando a marcha rumo a Curitiba. A marcha inicia amanhã às 9 horas em Querência do Norte. Cerca de 1.000 trabalhadores sem-terra entre homens, mulheres e crianças farão o trajeto de 120 quilômetros até Paranavaí, primeiro município de manifestação do movimento. A previsão é que a marcha chegue a Curitiba entre os dias 13 e 14 de outubro.
Em Paranavaí, os integrantes da marcha farão um protesto pela libertação de dois integrandes do MST que estão presos. Segundo um dos coordenadores do MST, Jair de Oliveira, os manifestantes vão ficar em Paranavaí até que os companheiros sejam soltos. Depois disso, continuam a marcha. De Paranavaí em diante a previsão é que 2 mil pessoas engrossem o movimento, com a chegada de outros sem-terra vindos de acampamentos, assentamentos e ocupações de áreas de várias regiões do Paraná.
No final de semana, os coordenadores prepararam o carro de som, confeccionaram faixas, cartazes e bandeiras, além de ensaiar gritos de ordem. O objetivo da marcha é protestar contra as prisões de integrantes do MST, contra as reintegrações de posse que estão desalojando as famílias de áreas ocupadas e exigir do Incra e do governo estadual o assentamento das mais de 9 mil famílias que estão acampadas em todo o Paraná.
Oliveira se queixou que as 40 famílias retiradas da Fazenda Saudade, em Santa Isabel do Ivaí, estão alojadas em condições sub-humanas no Ginásio de Esportes do município. ‘‘ Essas famílias estão lá desde o dia 16 e está faltando até alimentos para elas’’, denunciou.
Oliveira condiciona a liberação de áreas para reforma agrária a um programa de crédito subsidiado para os assentados. ‘‘É preciso que as famílias tenham as condições mínimas para plantar e trabalhar’’, explica. Para Oliveira, mesmo as áreas consideradas produtivas, mas ‘‘que não estejam cumprindo a função social’’, devem ser desapropriadas para fins de reforma agrária.

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