Londrina continua sendo palco de assassinatos e soma mais uma madrugada violenta. Em menos de três horas, duas pessoas morreram na Avenida Saul Elkind (Zona Norte), elevando para 83 o número de assassinatos registrados na cidade. O primeiro homicídio aconteceu por volta das 23 horas de sexta-feira. O agente penitenciário Luiz Vanderlei Bozo, 36 anos, trabalhava em seu carrinho de lanches, próximo ao número 1.000, quando foi abordado por um rapaz que disparou sete tiros de pistola.
Bozo trabalhava na Casa de Custódia de Londrina (CCL) há dois anos e meio. Segundo a polícia, ele atuava na monitoração pelo circuito interno de TV e há apenas quatro meses passou a ter contato direto com os presos. Segundo o delegado de plantão da 10 Subdivisão de Polícia, Airton Simplício, a principal hipótese é que o crime tenha sido cometido por vingança.
De acordo com informações do delegado, Bozo tinha a fama de ser bastante rígido com os detentos. ''A execução pode ser fruto de um algum preso que saiu da CCL e quis reparar algum problema que aconteceu lá dentro'', disse. Com a ajuda de testemunhas que estavam no local, na hora do crime, a polícia já tem alguns suspeitos, mas prefere manter os nomes em sigilo para não atrapalhar as ivestigações.
Segundo o vice-diretor da CCL, Major Raul Vidal, Bozo exercia a profissão como qualquer outro agente. Ele nunca respondeu por nenhuma sindicância e nem recebeu qualquer queixa sobre maus tratos, comentou Vidal. ''A maior parte do tempo em que trabalhou aqui, Bozo não teve contato direto com os presos. A ficha dele era limpa na instituição'', afirmou o major. Ele ainda apontou que a vingança é a primeira suspeita da polícia, mas nenhuma hipótese está descartada, inclusive a de assalto. A família não quis dar declarações.
O segundo assassinato aconteceu por volta da 1h30 de ontem, próximo ao Corpo de Bombeiro, no Jardim Vivi Xavier. Uma mulher, idendificada pela polícia apenas como ''Neguinha'', foi morta com dois tiros na cabeça e um na região lombar. A polícia ainda não tem pistas do criminoso. De acordo com o delegado de plantão, os vizinhos ouviram disparos, viram algumas pessoas saindo a pé do lugar e chamaram a polícia. ''Pelo jeito que eles falaram pode ser mais de um assassino'', frisou.
A mulher foi encontrada sem os documentos, mas algumas pessoas que estavam no local do crime a reconheceram pelo apelido. Segundo o delegado, pelas informações que recebeu de testemunhas, ela é casada com um rapaz que está preso, tem rixa com uma pessoa, ainda não identificada, e ''fazia uso de bebidas alcoólicas''. Até o fechamento desta edição, nenhum familiar havia procurado o Instituto Médico-Legal (IML) para fazer o reconhecimento.

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