Finados levam 250 mil pessoas aos cemitérios
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segunda-feira, 03 de novembro de 2003
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Os cinco cemitérios administrados pela Prefeitura de Londrina receberam ontem, Dia de Finados, cerca de 250 mil pessoas. Mas o feriado não é só feito de saudades. Histórias, lendas e perspectivas de aumento da renda mensal são os outros componentes do que também é conhecido como Dia dos Mortos.
O Cemitério São Pedro, o mais antigo da cidade (fundado em 1932), localizado no centro, foi visitado por cerca de 20 mil pessoas, segundo o encarregado administrativo Geraldo Lopes da Silva Júnior. Com cerca de 6.900 túmulos, o local guarda histórias curiosas quanto aos hábitos de seus frequentadores. Como conta Lopes, os túmulos mais visitados são os de dois desconhecidos que ganharam fama após a morte.
Um deles é de um homem identificado apenas como ''Capa Preta'', a primeira pessoa a ser sepultada no Cemitério São Pedro. ''Dizem que ele foi um pistoleiro'', afirma Sebastião Aparecido de Almeida, pedreiro do cemitério. O túmulo simples guarda a marca de visitas de pessoas estranhas ao morto, com velas queimadas e flores. ''Nunca fiquei sabendo de um parente que o tivesse visitado'', conta Almeida. Mercedes Carvalho Coelho e Raquel Araújo são duas das visitantes que estavam ontem no túmulo do ''Capa Preta'', para lhe prestar homenagens. ''Viemos para ver o túmulo dos meus pais e sempre aproveitamos para dar uma passadinha por aqui'', explica dona Mercedes.
O outro túmulo muito visitado é o do menino José Oswaldo Schietti, morto em 1950. Conhecido como ''o menino dos milagres'', o pequeno José morreu num acidente de carro, uma semana antes de sua primeira comunhão. ''Antes da reforma em seu túmulo, dali sempre minava água que o povo acreditava ter propriedades de cura'', conta Silva. A comerciante Céli Kobzinski, que aproveita o dia de Finados para ver o túmulo dos avós, conta que aprendeu a história do ''menino dos milages'' com sua mãe. ''Agora sou eu que passo aqui sempre. Acendo uma vela, rezo e peço uma graça''.
O maior cemitério da cidade, o Jardim da Saudade, na zona norte, tem aproximadamente 8.500 túmulos e recebeu a visita de 30 mil pessoas no feriado. Por ser um cemitério bem mais novo (fundado em 1984), o Jardim da Saudade não guarda lendas como o São Pedro, mas reserva algumas histórias tristes, como a de Joel Rodrigues Pereira, que perdeu seu pai há dois anos e somente ontem descobriu onde ele estava sepultado. ''Tenho um túmulo no Parque das Oliveiras, mas meus irmãos não quiseram levar meu pai para lá'', conta. Durante a visita, Pereira lamentava o estado do túmulo de seu pai. ''Parece que ninguém cuida''.
Apesar do grande fluxo de pessoas em visita nos cinco cemitérios da cidade, o índice de depredações e roubos foi bem menor que nos anos anteriores, como afirma a assessora da Administração dos Cemitérios e Serviços Funenários (Acesf), Débora Zanutto. ''Geralmente recebemos reclamações sobre roubo de vasos que são revendidos fora dos cemitérios, mas este ano ainda não recebemos nenhuma queixa'', disse.
E como todo bom feriado, o Dia de Finados também serviu para comerciantes faturarem com a venda de flores e velas. Vendedor de flores desde fevereiro, Marcos Soares está aproveitando seu primeiro Dia dos Mortos para divulgar a produção de flores de Londrina. ''Já vendi mais de 1.000 vasos'', comemora. E a venda de velas também serviu para as irmãs Aparecida e Rose Vieira conseguirem uma fonte alternativa de renda. As duas vendedoras estavam fechando a barraca de velas antes mesmo do final da tarde. ''Vendemos tudo. Acaba sendo divertido e o que é melhor é que fazemos uma renda extra'', comemoravam.


