Finados de positivistas é no último dia do ano
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de novembro de 1997
Elisa Marilia Carneiro Curitiba 
A religião da Humanidade, o Positivismo, tem como uma de suas máximas que os vivos são sempre e cada vez mais governados necessariamente pelos mortos. Na religião fundada por Augusto Comte, que também foi o criador da Sociologia, tudo o que as pessoas são e fazem têm raízes no passado. E isso é uma das razões porque veneram seus mortos.
Para os positivistas, depois da vida objetiva - limitada e transitória -, o ser humano inicia com a morte a vida subjetiva. Esta é permanente. Na explicação do médico psiquiatra e positivista, Paulo de Tarso Monte Serrat, tudo o que se faz durante a vida objetiva fica na memória das pessoas com quem convivemos. E isso permanece como exemplo e tem continuidade naqueles que amamos.
Por esta razão, Augusto Comte definiu a Humanidade como o conjunto dos seres convergentes, passados, futuros e presentes. Sempre nessa ordem uma vez que o passado e o futuro são períodos muito mais longos que o presente - período mais breve.
O dia dos mortos também tem uma data especial na religião Positivista. É comemorado no último dia do ano. O calendário Positivista tem 13 meses de 28 dias e dois dias suplementares: um dedicado aos mortos e o outro, a cada quatro anos, consagrado às mulheres santas. Este calendário é perpétuo, isso é, todos os dias caem sempre no mesmo dia da semana, em todos os anos.
Os positivistas preconizam o sepultamento sem cremação. De acordo com Monte Serrat, mesmo no corpo morto o sistema nervoso se mantêm intacto. Quando submetido à cremação, o corpo recebe estímulos pelas vias sensoriais térmicas, ainda presentes, e algumas reações chegam ao cérebro provocando movimentos. A concepção de inferno, para outras religiões, vem dessas observações. O corpo deve se desintegrar naturalmente sem estímulos violentos.


