Fim do psicotécnico aumenta perigo
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sábado, 11 de outubro de 1997
Paulo Pegoraro 
Cascavel
Edson MazzettoSeleçãoPsicóloga Odete Lodi diz que, anualmente, 250 mil pessoas são consideradas inaptas para dirigirA psicóloga Odete Lodi, de Cascavel, considera um absurdo a eliminação do exame psicotécnico para a habilitação de motoristas. Credenciada pelo Detran do Paraná para realizar este tipo de exame, a psicóloga participou semana passada do Congresso Brasileiro de Acidentes e Medicina de Tráfego, em Fortaleza (CE), onde o assunto foi debatido.
O fim do psicotécnico foi decidido pelo Ministério da Justiça, que vetou artigo do novo Código Nacional de Trânsito determinando a realização do exame. De acordo com o órgão, bastam os exames físicos e de saúde para a pessoa se tornar motorista. A decisão contraria posição da Associação Nacional de Psicologia de Trânsito (Anpsitran) e o Conselho Federal de Psicologia, que participaram da elaboração do novo código, que entra em vigor no ano que vem.
Sem dúvida, o trânsito será ainda muito mais perigoso, avaliou a psicóloga. Outras entidades contrárias à decisão do Ministério da Justiça divulgaram nota de repúdio e programaram uma manifestação para a quinta-feira, em Brasília.
Edson MazzettoTeste dispensadoCandidatos à habilitação esperam na fila para fazer o psicotécnico na Ciretran de Cascavel
Em todo o País, infomou a psicóloga de Cascavel, anualmente 250 mil pessoas são consideradas inaptas para dirigir carros por problemas mentais, alcoolismo, drogas e agressividade, entre outros problemas. A psicóloga presta assessoria para empresas, principalmente de ônibus, e relatou que uma delas, que atua em linhas nacionais e internacionais, reprova cerca de 20% dos candidatos a emprego de motorista.
O empresário Assis Gurgacz, dono da empresa, também considera indispensável o exame psicotécnico e um erro de graves consequências a sua eliminação.
O tenente Paulo Roberto Lima, chefe da Companhia de Trânsito do 6º Batalhão da Polícia Militar de Cascavel, também é contra o fim do exame. Segundo ele, o motorista pode ter boa visão e conhecer a lei, mas se psicologicamente não está apto, vai causar problemas no trânsito.
Conforme dados do Ministério do Trabalho, até 5% de pessoas são incluídas anualmente no quadro de doentes psiquiátricos com distúrbios sérios, que só podem ser diagnosticados precocemente em avaliação psicológica. Em seu manifesto, a Associação Nacional de Psicologia de Trânsito questiona. Sem o exame psicológico, quem vai tirar do trânsito os imaturos, agressivos, doentes mentais, alcoólatras e outros causadores de acidentes?
A entidade salienta que o teste passou a ser feito para a concessão de porte de arma, estabelecendo-se um contrasenso, também porque o novo código prevê o exame apenas para infratores contumazes, caso em que se torna necessária uma investigação mais detalhada do comportamento individual. Para Odete Lodi, isso significa abandonar o sentido preventivo do exame, e aplicá-lo apenas depois que o motorista comete infração, provoca acidente e mata pessoas.


