Fim do 'garimpo' causa preocupação
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quarta-feira, 30 de agosto de 2000
Alexandre Sanches De Londrina 
Os garimpeiros do lixo que trabalham no aterro sanitário de Londrina rechaçaram a hipótese do incêndio que atingiu o local na semana passada ter roigem criminosa, conforme suspeita a Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), com base em informações de alguns trabalhadores do chamado lixão. O fogo teria surgido, segundo essa versão, durante uma briga entre turmas de garimpeiros da manhã e da noite. Você acha que a gente vai queimar o nosso ganha-pão? Eu trabalho aqui há 23 anos e sustento a minha família com o que retiro aqui, disse João dos Santos, 60 anos.
Anteontem, focos de fogo ainda queimavam o gás metano e materiais de fácil combustão. As chuvas do final de semana, que atingiram de sábado até segunda-feira 54,7 milímetros segundo o setor de meteorologia do Iapar , não foram suficientes para eliminar o problema.
Funcionários da Vega Ambiental empresa responsável pela coleta de lixo na cidade trabalhavam com caminhão-pipa no local para evitar a proliferação do fogo, enquanto a AMA, responsável pela administração do aterro, ligava bombas de recalque nas lagoas de churume e molhou o lixo, para tentar apagar em definitivo os focos. É que, ao contrário da água, o churume não contêm oxigênio e não permite a propagação de fogo.
Enquanto os focos eram combatidos, o garimpeiro João dos Santos se mostrava preocupado com a proposta da AMA de acabar com o trabalho dos garimpeiros no aterro. Deixei de ser carroceiro para ser garimpeiro, desabafou.
Edson Isaías da Silva, 36 anos e há 22 como garimpeiro, disse que tira uma média de R$ 200,00 por semana e sustenta uma família de cinco filhos. Se acabarem com o nosso trabalho vou ficar desempregado, pois não tem emprego para todo mundo na cidade. Segundo ele, trabalham em torno de 20 catadores de papel cadastrados no local e cerca de 10 catadores de alumínio, que estão há menos tempo.
Jair Gonçalves, 49 anos e há 17 no garimpo, cobra uma posição imediata da prefeitura nos projetos de cooperativa ou de usina de reciclagem de lixo. Não vamos aceitar ser retirados daqui da noite para o dia sem qualquer garantia de emprego. Gonçalves acredita que o melhor é criar uma discussão entre a AMA e os garimpeiros para evitar problemas de desemprego para a categoria. Ele garante que consegue tirar em média R$ 250,00 por semana na garimpagem.
A proposta de retirada dos garimpeiros aterro sanitário de Londrina está sendo estudada pela AMA e pela Secretaria Municipal de Ação Social, segundo o técnico responsável pelo monitoramento do aterro, Elsone Delavi. Ele disse, porém, que o problema é antigo e não pode ser resolvido da noite para o dia. Mas acredita que a solução deve vir até o final do ano.


