Fim do descanso e volta à realidade
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 1997
Da Sucursal 
Delcymara Lara prepara os filhos para a escola: o ano começou esta semanaOntem foi a primeira sexta-feira do ano na qual o contador Geraldo Herman saiu do trabalho e foi direto para casa. Acostumado a tomar o caminho das praias todo final de semana desde o Natal, Herman sentiu, quase dois meses depois do reveillon, que o ano afinal havia começado.
O caso do contador é um dos muitos que justificam a famosa idéia de que, no Brasil, o ano só começa depois do Carnaval. Sem férias neste verão, ele compareceu ao trabalho todos os dias, mas com outro espírito, um pouco indolente. Às sextas-feiras, encurtava o expediente para ir encontrar a família no litoral.
Com o fim do Carnaval, acabam também o horário de verão, a tranquilidade no trânsito, a calma em bancos e restaurantes. O meio político volta a se agitar, as aulas das crianças recomeçam. O reinício das aulas faz a gente voltar à realidade, diz Delcymara Kuster de Lara, funcionária pública que entrou em licença sem vencimentos no ano passado mas só agora, depois de uma longa temporada na praia, começa a pensar numa nova alternativa profissional.
Nas férias, querendo ou não, a gente não pensa muito na vida. O ano, para mim, começou esta semana, afirma Delcymara, mãe de dois meninos.
É um ritmo que se reflete em quase todas as áreas. É depois do Carnaval que o comércio recomeça o esforço para atrair clientes, com liquidações. É quando as academias de ginástica voltam a ficar cheias e os médicos passam a ter novamente agendas lotadas.
Para quem já está com saudades das férias, resta o consolo de esperar os próximos feriados. Contando sábados, domingos, feriados e dias enforcados, os brasileiros terão este ano pelo menos 116 dias de folga. Os 12 feriados nacionais brasileiros não chegam a ser um exagero em relação a outros países. O Japão, por exemplo, tem 14 feriados.
O problema é que não dá para comparar com países desenvolvidos e mais produtivos, diz o consultor de empresas Henri Paul Pach. Para ele, um país que ainda está engatinhando na estabilidade não pode pensar em ficar um terço do ano sem produzir nada.


