Fim do Chequefone gera polêmica
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segunda-feira, 27 de abril de 1998
Osmani Costa 
Josoé de CarvalhoDesabafoAntonio Segantin, dono de uma farmácia, diz que o seu prejuízo pode chegar a R$ 600,00: Isto está cheirando a golpeA companhia telefônica Sercomtel S/A rescindiu, na última semana, o contrato experimental que possibilitava à empresa Chequefone intermediar as vendas de comerciantes em geral e administrar os débitos automáticos lançados nas contas telefônicas dos compradores.
Comerciantes consideram que foram vítimas de golpe e estão com medo de ficar no prejuízo. O dono da Chequefone, Carlos Barboza, garante que ninguém perderá dinheiro, diz que foi o maior prejudicado e considera a rescisão do contrato uma medida absurda da Sercomtel.
O negócio, em funcionamento desde setembro de 97, já havia gerado 112 clientes - farmácias, floriculturas, pizzarias etc. - à Chequefone e movimentado cerca de R$ 200 mil, segundo Barboza. Ele funcionava da seguinte forma: o consumidor ia até o estabelecimento comercial, efetuava a compra e, em vez de pagar com dinheiro, cheque ou cartão de crédito, assinava uma autorização de débito na conta telefônica.
Mensalmente, a Chequefone juntava o movimento das vendas de cada empresa e repassava tudo organizado, em disquete, para a Sercomtel. A empresa telefônica então lançava o débito na conta do usuário do mês seguinte. Recebida a conta, a Sercomtel - que recebia mensalmente R$ 500,00 da Chequefone, independente do movimento - passava o total arrecadado à operadora do sistema, que então pagava a cada uma das empresas. Por esta intermediação, a Chequefone cobrava de seus clientes R$ 0,90 sobre cada venda efetuada. Para aderir ao sistema, cada comerciante pagava também inicialmente uma taxa de R$ 100,00.
Ontem, os clientes foram pegos de surpresa com uma correspondência dos advogados da Chequefone, dando conta que o serviço prestado está suspenso temporariamente, devido à decisão da Sercomtel de interromper o compromisso firmado de modo unilateral, abrupto e sem justa causa. O dono de uma farmácia, Antonio Segantin, diz que este tipo de venda aumentou a inadimplência e que o prejuízo dele pode chegar a quase R$ 600,00.
Isto está cheirando a golpe. A Chequefone não está querendo cumprir o compromisso, o que está escrito no contrato de prestação do serviço, acusa Segantin. Carlos Barboza garante que ninguém terá prejuízos: Tudo que for recebido e repassado pela Sercomtel, nós vamos pagar aos comerciantes. Ninguém precisa se preocupar com isto. Eu é que estou sendo vítima de uma decisão injusta da Sercomtel, em suspender o meu negócio, que foi idéia minha e estava em expansão mês a mês.
O diretor de marketing da Sercomtel, Walter Campanelli, afirma que a rescisão aconteceu porque a Chequefone não estava cumprindo integralmente as cláusulas do contrato, porque havia a introdução de débitos indevidos nas contas telefônicas, e os interesses das duas empresas eram muito divergentes. Tentamos uma negociação, mas elas não resolveram a questão. Não cancelaríamos o contrato se não houvesse faltas graves por parte da Chequefone.


