Curitiba - Desde da última quinta-feira, o serviço de voz que anunciava a hora de embarque e desembarque nos aeroportos da brasileiros foi suspenso por determinação da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). A alegação da Infraero é que o aumento do número de passageiros nos aeroportos e, consequentemente, do número de voos, estava exigindo muitos anúncios que, por outro lado, criavam a poluição sonora nos saguãos. A medida divide opiniões entre os passageiros.
Os muitos anúncios seguidos também estavam gerando outro problema. De acordo com assessoria de comunicação social do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), por causa da grande movimentação, muitos voos anunciados já haviam partido. O resultado? Confusão, perda de voos, reclamações.
O serviço, no entanto, não foi de todo excluído. O sistema de som ainda é utilizado em casos de voos atrasados, chamada de pessoas ou outras situações atípicas. Dentro das salas de embarque, o serviço continua - mas oferecido pela companhias aéreas.
No Afonso Pena, os anúncios não são realizados desde outubro do ano passado. Com a mudança, a Infraero recomenda que os passageiros não descuidem dos painéis eletrônicos para saber sobre o horário dos voos. Uma das polêmicas sobre o cancelamento diz que respeito ao fim da informação a deficientes visuais. Nesse caso, a Infraero lembra que os passageiros devem informar da deficiência à companhia áerea, que tem de designar um funcionário para acompanhá-lo até o embarque.
Entre os passageiros que passaram ontem pelo Afonso Pena, a medida tem dividido opiniões. O zootecnista Ary Silva Toledo, de Vitória, no Espírito Santo, diz que é contra o cancelamento do serviço, que considerava um ''algo a mais''. ''Não vejo um sentido ou benefício para o cancelamento. Também não considerava o aviso como um incômodo. Na verdade, virou um deserviço'', acredita. ''Sem o sistema, perde-se a liberdade de circular pelo aeroporto'', completa.
Já o engenheiro de sistemas Marcelo Spiandorello, de Caxias do Sul, na Rio Grande do Sul, acredita que o fim dos anuncios pode fazer falta para pessoas mais idosas ou para aqueles que não têm o hábito de voar sempre. Fora isso, diz ele, não vai fazer falta. ''Quando havia os anuncios, eu nunca estava prestando a atenção. Acho que o painel é melhor'', diz Spiandorello. No entanto, a dita ''poluição sonora'' não chegava a incomodar o engenheiro. ''Para mim não agregava nada, mas a voz não chegava a incomodar'', conta.
O auxiliar de produção Caetano Izael, de São Paulo, lembra que a melhor forma de não ter problemas com a mudança é sempre chegar com pelo menos meia hora antes do horário de embarque. Na opinião dele, porém, o fim do serviço pode prejudicar os passageiros. ''Sei que às vezes as pessoas chegam em cima da hora e precisam de um tempo extra; a lembrança sonora, então, seria importante'', comenta. Em 2008, o Afonso Pena recebeu uma média mensal de 5.700 voos, com cerca de 356.800 passageiros circulando no local.

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