Diretores de escolas estaduais em Londrina reclamam do cancelamento do Projeto de Enriquecimento Curricular (PEC), implantado pela Secretaria de Estado da Educação (SEED) em maio deste ano. Concebido para completar a carga horária de 800 horas determinada pela Lei de Diretrizes e Bases, o PEC atinge escolas de ensino médio com curso noturno, cujo tempo das aulas é reduzido.
Para preencher o calendário, os professores precisam ministrar 133 horas anuais de atividades complementares. Até maio, os alunos realizavam esses trabalhos em casa ou em ações comunitárias. O Conselho Estadual de Educação expediu um parecer contrário à prática e determinou a inclusão dos exercícios na carga horária presencial, como se fosse uma disciplina.
A exigência foi viabilizada pelo PEC, que deveria começar a funcionar no segundo semestre e incluir a reposição dos primeiros meses do ano. De acordo com Élcio Tupã, presidente da Associação de Gestores de Escolas do Núcleo de Londrina (Agenlon), os diretores foram informados sobre a novidade no final de junho. Para atender essa demanda, precisaram deslocar professores, contratar profissionais, aumentar a carga horária e organizar um projeto pedagógico.
‘‘Depois de toda essa revolução, fomos surpreendidos ontem (segunda-feira) com o cancelamento do projeto. Em Londrina estava funcionando bem, não entendemos o motivo dessa atitude. Como ficam os professores contratados, os que aumentaram a carga horária e os alunos envolvidos?’’, questiona.
A SEED informa que determinou a suspensão das atividades após receber reclamações sobre a falta de tempo hábil para a reposição do primeiro semestre. Zélia Lopes Marochi, superintendnete de gestão de ensino da SEED, explica que os professores já estavam ocupando os sábados param reporem os dias parados durante a greve. Sobre os novos contratados, acrescenta que foram menos de dez em todo o Estado.
‘‘Nós vamos analisar a situação das escolas através de uma auditagem do suprimento de professores. Após conseguirmos estas informações, vamos fazer todos os encaminhamentos necessários’’, responde. Para Tupã, a explicação não é satisfatória. ‘‘Eles poderiam ter cancelado antes de modificarmos toda a rotina, evitando essa confusão’’.
A superintendente afirma que a orientação foi enviada no malote de 23 de maio, antes da greve começar. ‘‘Seria viável se não houvesse necessidade de repor os dias da paralisação’’, diz.

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