Marcos NegriniFlávio Arns: ‘‘O nosso medo é que as entidades que ainda nos restam
também sejam extintas’’‘‘O Brasil retrocedeu no atendimento social aos deficientes físicos, aos idosos e aos meninos de rua’’, disse ontem em Maringá o deputado federal Flávio Evaristo Arns (PSDB-PR). Ele abriu o 1º Seminário Regional dos Portadores de Necessidades Especiais, no Teatro Calil Haddad.
Segundo o deputado, a Legião Brasileira de Assistência (LBA) e o Centro Brasileiro da Infância e da Adolescência (CBIA) foram extintos e não foram substituídos. ‘‘O nosso medo dos novos governos que assumem é que as entidades e os órgãos que ainda nos restam também sejam extintos’’, disse. Arns é presidente das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais do Paraná e presidente da Confederação Interamericana de Entidades de Ajuda a Pessoas com Deficiências Mentais.
Segundo ele, em todo o Brasil existem 15 milhões (cerca de 10% do total de habitantes) de portadores de deficiências. No Paraná, são cerca de 900 mil. Funcionam no país 1.500 Apaes e no Paraná 250.
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Em seu pronunciamento, o deputado apresentou três sugestões para que o número de excepcionais seja reduzido: o acompanhamento médico da gestante antes, durante e após o parto; a vacinação infantil, principalmente contra a rubéola e o sarampo; e a nutrição infantil completa.
‘‘Um menino subnutrido que pega sarampo tem 400% de chances a mais do que uma criança que se alimenta bem, de ficar excepcional. Muitos casos de excepcionalidade poderiam ser evitados. O momento do nascimento do bebê no Brasil é uma fábrica de excepcionais. A criança demora para nascer e não tem médico por perto. Enfim, são criados todos os fatores para a criança nascer com paralisia cerebral’’, afirma Arns.
O deputado disse ainda que a população não é assistida por uma política de saúde adequada tanto por parte do governo estadual, quanto do governo federal. ‘‘O que podemos fazer de imediato é incentivar as boas iniciativas’’, disse. Como exemplo, ele citou o trabalho da Pastoral da Criança que hoje atende cerca de três milhões de crianças carentes em 25 mil comunidades brasileiras. ‘‘É um trabalho milagroso que funciona com voluntários, mesmo porque o governo federal não envia recursos à Pastoral há quatro meses’’.
O seminário prossegue hoje, com a participação de representantes de organizações não-governamentais (ONGs) e dos governos federal, estadual e municipal. Uma das propostas é que os portadores de deficiências recebam educação em salas de aula convencionais. ‘‘As escolas devem começar a se preparar para esta mudança, adequando os métodos pedagógicos e educadores para a nova realidade, como propõe a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)’’, afirmou a secretária de Educação Especial de Curitiba, Ivanilde Ribeiro dos Santos.
O 1º Seminário Regional dos Portadores de Necessidades Especiais foi aberto com apresentação artística de grupos de jovens portadores de deficiências que estudam nas 11 entidades especiais de Maringá.

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