Campo Mourão - A implantação do aterro sanitário e o fim do lixão da Vila Guarujá desagradaram os catadores do lixo de Campo Mourão. Nem uma frente de trabalho aberta pela prefeitura para dar serviço às famílias vem conseguindo amenizar as reclamações. ‘‘Ficou pior’’, diz Catarina Oemin, 56 anos, que catava lixo há 14 anos no lixão a céu aberto.
Catarina se queixa que com o fim do lixão ela passou a ser a única a ter trabalho na casa onde vive com dois filhos. A prefeitura cadastrou 39 famílias que trabalhavam no garimpo do lixo, mas só garantiu emprego para uma pessoa por família. ‘‘Ruim não é, mas o lixão dava mais dinheiro’’, conta Elias Machado, 25, que vem trabalhando no Horto Municipal.
Machado trabalhou no garimpo do lixo desde os 7 anos. Casado e com quatro filhos, ele contava com a ajuda da mulher para ganhar cerca de R$ 400,00 por mês no lixão. ‘‘Hoje ganho R$ 132,00 da prefeitura mais uma cesta básica’’, ressalta. A prefeitura paga meia diária de R$ 6,00 e exige que os ex-catadores participem de cursos de alfabetização e qualificação profissional.
Celina Maria Ferreira, 40, trabalhou 20 anos no lixão da Vila Guarujá. Segundo ela, o pior da frente de trabalho é não garantir emprego após o final deste ano. ‘‘Depois disso, vamos fazer o quê?’’, questiona. Já Rosenilda de Souza, 27, reclama que ela e o marido ficaram sem renda após a desativação do lixão. O casal é analfabeto e tem três filhos.
O presidente da Associação de Moradores da Vila Guarujá, Lademiro Padilha, diz que apesar das reclamações, a prefeitura cumpriu a promessa de abrir a frente de trabalho aos ex-catadores. ‘‘O problema é que algumas pessoas não estão levando a sério esse novo trabalho’’, ressalta Padilha. Segundo ele, dos 39 cadastrados, cinco já desistiram do programa.

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