A rotina de José Luiz Aozani, 36 anos, é a mesma há 69 dias. Acorda às 5 horas, prepara cerca de 10 cabeças de gado nelore para a exposição, abastece os cochos com 30 quilos de ração para cada animal, os conduz pelas pistas de julgamento das exposições e encerra seu expediente por volta das 2 horas do dia seguinte. Ontem essa rotina foi quebrada com o fim de mais um ciclo: encerrou-se a Exposição Agropecuária de Londrina e estandes de empresas, gado e toda a estrutura montada para atender os visitantes deve ser desmontada para que o Parque Ney Braga (Zona Oeste) esteja pronto para o próximo evento. A 44 Exposição de Londrina teve a duração 12 dias.
Aozani é um dos tratadores responsáveis pelos mais de 14 mil animais expostos na feira e gerente de uma fazenda em Maringá. Junto com a esposa, Giovana de Almeida, já viaja com o gado há mais de dois meses. Veio da exposição de Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro). ''Essa é a nossa vida, o que você 'tá' vendo aí'', diz com simplicidade. Dormir em barraca, comer nos restaurantes do parque, tomar banho frio. ''Às vezes o patrão paga a comida, como aqui em Londrina'', conta.
Comida preparada pelas lanchonetes e restaurantes que também recolhem suas coisas para a viagem à Maringá, a próxima grande exposição do calendário paranaense. Restaurantes que empregam gente como José Milton, 49 anos, garçom. ''Aqui comeu gente de todo tipo. Os peões e os patrões.'' Milton estima que tenha servido pelo menos 350 refeições por dia, num total de 4,2 mil pratos ao longo da mostra. ''Agora é a parte mais chata, desmontar. Mas eu gosto de trabalhar aqui, é muito bom'', conta Milton.
Em torno da barraca prestes a ser desmontada, Aozani acumulou bastante sujeira, resultado dos 12 dias de hospedagem sem luxo, perto dos garrotes e novilhas. Recolher todo o lixo, que pode totalizar 192 toneladas ao fim da exposição, ontem foi tarefa para pessoas como Sônia Roga, 48 anos, desempregada que trabalha como temporária na feira há nove anos. ''Sempre sobra muita sujeira, e é difícil limpar perto dos pavilhões do gado. Mas mesmo assim eu adoro trabalhar aqui, é uma pena que acabou'', lamenta a senhora.
No meio dos serviços, sempre um imprevisto. Uma das novilhas sob cuidados de Aozani resolve se revoltar, provavelmente por não querer ir embora da feira, e foge. São precisos quatro peões para segurar o animal de 500 quilos. Sem proteções, mãos com bolhas e pés machucados são comuns nessas situações. ''Mas os peões realmente não vieram muito até a nossa loja para comprar'', contou a vendedora Adriana Rocha, 25 anos, que ontem ajudava o pessoal a desmontar o estande da loja que vendia artefatos de couro para trabalhos rurais, uma dos mais de 600 estandes de negócios da mostra.
Aozani prepara-se para a próxima viagem, até Maringá, onde deve ficar por mais 15 dias. No fim da feira de Maringá, ele e a esposa vão somar mais de 80 dias vivendo em exposições. ''Não temos filhos, mas quando tivermos, eles vão nos acompanhar'', garante. Voltar para casa, só em agosto.

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