Fim de feira
Resistiram ao tempo dos hipermercados climatizados. São raros exemplos de democratização do espaço público. Atraem madames e meninos famintos. Feirantes com talento para humoristas, personagens que habitam ditados populares. Homem da cobra e vendedor de raízes. Não falta o coloral dos avós, nem variedades inventadas em laboratório que já estão, naturalmente, em todas as fruteiras. O morador vizinho entra em cena depois do espetáculo . Varre o desperdício e a falta de bons modos. Dizem que o fim de feira evoca melancolia. Para o senhor da vassoura, que acorda cedo com os gritos anunciando a oferta da mandioca, não há lamentações. Rua São Salvador com Ouro Preto, área central de Londrina, um homem faz sua parte sem esperar nada mais por isso. (Lúcio Flávio Moura)





