Fim de ano, momento de olhar para dentro
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de dezembro de 2008
Giuliana Reginatto<br>Agência Estado 
São Paulo - Comprou presentes para a família inteira? Quero ver você não chorar, não olhar para trás, nem se arrepender do que faz quando a fatura do cartão de crédito chegar. Enfrentou fila nos shoppings, ficou preso no trânsito e até encarou horas extras no trabalho para desfrutar das coletivas? Quero ver o amor vencer, e se a dor nascer, você resistir e sorrir para todos os convidados na ceia de Natal. Se você pode ser assim, tão enorme assim, a ponto de não se culpar pelas promessas não cumpridas em 2008, é provável que tenha escapado do estresse de fim de ano, fenômeno comum no País.
De acordo com uma pesquisa aplicada pelo Internacional Stress Management Association - Brasil (Isma-BR) a 678 pessoas, com idades entre 25 e 55 anos, dezembro é o mais estressante dos meses. O desgaste aumenta em até 75% durante as últimas semanas do ano na opinião de 80% dos participantes. Entre eles, 25% afirmam que as despesas adicionais com presentinhos e confraternizações são as principais responsáveis por tanta tensão.
''Em dezembro há uma sobrecarga de tarefas, no trabalho e na vida social. É comum gastar muito dinheiro e tempo com festividades. Por causa dos compromissos, as pessoas dormem menos e cometem exageros alimentares, ingerindo mais gordura e álcool. Não é de se estranhar que tudo isso culmine em sintomas típicos dos quadros de estresse e ansiedade, como as dores musculares'', diz a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente do Isma (www.ismabrasil.com.br).
Na opinião da psicóloga Cristiane Maluhy Gebara, uma das coordenadoras do Centro Psicológico de controle do Estresse de São Paulo (www.estresse.pisq.com.br), em 2008 a tensão de fim de ano ganhou um componente extra. ''Só se fala na crise financeira. Diante de tantas demissões é difícil não pensar naquilo que pode vir após as férias coletivas'', diz.
À tensão desencadeada pelo contexto natalino, soma-se a fragilidade emocional típica da época. ''Alguns fatores estressores são internos, como o sentimento de culpa pelos projetos que fracassaram e a autocobrança ao traçar metas para o próximo ano. As pessoas ficam mais emotivas, cada uma faz uma espécie de balancete pessoal, é como se o fim do ano fosse um marco, uma régua. Perceber que muitos planos poderão ser executados em um outro calendário ajuda a lidar com essa tensão'', diz Cristiane.
Fantasias e sonhos
A festividade do fim de ano também tem seus defensores. Doutor em psicologia e coordenador do Departamento de Psicologia do Hospital Santa Paula, Luiz Gonzaga Leite ressalta a importância dos rituais. ''A sociedade se tornou tão pragmática que está eliminando seus ritos de passagem. Eles, em geral, celebram uma possibilidade de renovação. No caso do Natal, todos entram em uma atmosfera mística, acreditam que as energias serão renovadas quando 2009 vier. São essas fantasias e sonhos que impulsionam as pessoas.''


