Fim de aluguel social preocupa desabrigados
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quinta-feira, 28 de abril de 2016
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Rolândia - As chuvas que atingiram todo o Norte do Paraná desde outubro do ano passado até março deste ano, com picos nos dias 11 de janeiro e 18 de fevereiro, geraram uma série de problemas. Muitos permanecem sem solução. Rolândia foi um dos municípios mais atingidos pelas enxurradas e o único da Região Metropolitana de Londrina a ficar mais de uma semana sem abastecimento de água e também a registrar uma pessoa desaparecida, o motorista Odair José, que até hoje não foi encontrado.
Entre os vários problemas em Rolândia, está o das famílias obrigadas a sair de casa em janeiro porque os imóveis foram interditados pela Defesa Civil. Para esses moradores, começou a contagem regressiva para que a prefeitura deixe de pagar o aluguel social, cuja duração é de cinco meses. Quem se encontra nessa situação está preocupado com a possibilidade do fim do benefício antes que o imóvel próprio seja readequado.
A costureira Francisca Bernardino dos Santos, de 64 anos, afirma que a situação de sua casa não mudou. Ela morava no Jardim Teresópolis, próximo ao Córrego Marabú, onde houve um deslizamento de terra. "A minha casa está agora a apenas 1 metro de um barranco com 8 metros de altura e a cada chuva que cai a situação piora mais", conta. "Sofri tanto para construir a casa; levei 20 anos para isso e reformei tudo há dois anos. Troquei telhado, coloquei piso novo e agora posso perder tudo", lamenta.
A maioria das pessoas desabrigadas pelas chuvas eram dos conjuntos Tomie Nagatani, São Fernando, Água Verde, Jardim Rosângela e Santiago. A secretária de Assistência Social de Rolândia, Rozimari Veronez, informa que 27 famílias ainda recebem o aluguel de R$ 500 pagos pela prefeitura. "Esse aluguel é regulamentado pela Lei Orgânica do município e estamos pleiteando recursos do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), já que boa parte das casas foi construída pelo programa Minha Casa Minha Vida, mas não obtivemos retorno", afirma, preocupada.
Rozimari aponta que o pagamento do aluguel social deverá ser interrompido em junho. "Nós avisamos as famílias que o aluguel seria temporário e orientamos as pessoas a buscarem outras alternativas." Segundo ela, algumas retornaram para seus imóveis de origem, já que as chuvas cessaram e o risco de desabamento diminuiu.
No entanto a reportagem esteve no Conjunto Tomie Nagatani e constatou que os muros de arrimo não foram consertados e ainda há risco de desmoronamento. Para a dona de casa Silvana Moreira dos Santos, o susto de ver a sua casa invadida pela lama foi grande. "Eu perdi tudo o que tinha: geladeira, o televisor, os móveis e as roupas. Tudo foi destruído", resume. Ela é moradora da Rua Antônio Moraes Almeida, a mais baixa do conjunto, que possui um declive acentuado. Para se ter uma ideia, entre a casa dos fundos que faz divisa com a sua há uma diferença de altura de 4 metros. Com o desmoronamento que atingiu a casa de Silvana, a moradora do imóvel de cima teve de ser removida. Angela Libanio de Paulo se limitou a dizer que está recebendo aluguel social e que está acionando a prefeitura judicialmente para resolver o problema.
O prefeito de Rolândia, Luiz Francisconi Neto, aponta que viaja a cada 15 dias para Curitiba na tentativa de conseguir 50 casas para abrigar as famílias que recebem o aluguel social. "Nem todas vão se encaixar no critério. Nós já temos o terreno definido, mas é preciso o ok da Cohapar (Companhia de Habitação do Paraná)", explica. Segundo ele, a prefeitura tentará continuar pagando o aluguel aos moradores que não se enquadrarem nos critérios.
Há quem prefira não esperar tanto tempo. Débora Antunes, cujo muro de arrimo dos fundos da casa caiu, foi orientada pela prefeitura a não permanecer na casa, mas mesmo assim ela resolveu retornar para o imóvel no Tomie Nagatani. "Não era para eu voltar, mas eu trabalho e não posso ficar em alojamento", expõe. Ela destaca que o muro de arrimo de 3,5 metros de altura veio abaixo e danificou parte de sua casa.


