Fim de abono complica situação de aposentado
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quarta-feira, 21 de junho de 2006
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
O ex-servidor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), José Carlos Fortunato de Paula, 34 anos, teve sua aposentadoria de maio reduzida de R$ 620 que recebia para R$ 292,63. Isso porque o abono provisório que vinha acrescido aos vencimentos foi cancelado em seu caso e no de outros funcionários que se aposentaram sem paridade e isonomia e depois de 2003. ''Para estes casos, o reajuste é anual, mas os índices ainda não foram regulamentados pelo governo'', esclarece Rita de Cássia Guimarães Melatti, chefe da divisão de Registros da Pró-Reitoria de Recursos Humanos.
Se ter os rendimentos líquidos reduzidos à metade de uma hora para outra já causa comoção, no caso de Fortunato (aposentado por invalidez) o fim desse abono é também mais um capítulo em sua conturbada relação com a UEL.
Sua primeira ligação com a instituição ocorreu em 1998, quando começou a trabalhar no Restaurante Universitário (RU), primeiro como auxiliar de cozinha, depois como cozinheiro. Em março de 2002, o servidor internou-se no Hospital Universitário (HU) para realizar um enxerto no ouvido esquerdo e saiu de lá com dificuldades para caminhar, mover-se, falar e com espasmos constantes, depois de passar 20 dias em coma. Na época, uma sindicância instalada pela própria universidade concluiu que houve erro assistencial no atendimento.
Fortunato move uma ação civil contra a universidade por danos morais, e quer uma indenização no valor de R$ 400 mil. ''Ele entrou no hospital com a saúde normal e saiu com todos esses problemas irreversíveis. Mas não estamos pensando apenas na questão pessoal e financeira de Fortunato. É também uma forma de tentar fazer com que o Estado invista mais nessa área, até para evitar que hajam novos casos como este'', argumenta seu advogado, Antônio Carlos Maricato. ''Ninguém se submete a uma cirurgia pensando em ficar com graves sequelas para obter lucro.''
Além da ação na 10 Vara Cível, foram instaurados também processos administrativos na UEL para que ele pudesse receber duas férias vencidas e uma licença prêmio, já que Fortunato, por conta dos problemas advindos de seu estado de saúde, acabou perdendo o prazo para requerê-los. Ele também recebe uma cesta básica a cada dois meses, proveniente de colaborações solidárias de uma associação de funcionários da própria universidade.
O ex-servidor questiona ainda a demora da universidade em depositar o dinheiro para que fosse realizada a perícia, o que, segundo seu advogado, levou mais de um ano. Porém, a advogada da UEL que cuida do caso, Marinete Violin, esclarece que a desistência de três peritos nominados pela Justiça foi o principal fator a ocasionar a demora, e que os honorários foram depositados duas semanas após a instituição ter sido notificada, em 17 de março deste ano. Atualmente, o perito está avaliando o processo e deve entrar em contato com o ex-cozinheiro em breve.
Para ambos os lados, no entanto, o melhor seria se Fortunato não tivesse que depender de nada disso, voltando à primeira relação que teve com a instituição, como apenas mais um dos milhares de servidores. Como isso não é possível, ele passa os dias esperando que a Justiça o recompense pelos infortúnios passados e futuros em decorrência de seu atual estado de saúde. ''Eu só quero que eles reparem o que fizeram com a minha vida'', desabafa.


