Ibiporã - Integrar as disciplinas para discutir a realidade do país e do planeta e tridimensionar o conhecimento do aluno parece tarefa árdua para professores de escolas públicas. Mas um exemplo positivo, e que já acontece pelo segundo ano consecutivo, movimentou manhãs e noites do Colégio Estadual Olavo Bilac, em Ibiporã (Norte), esta semana: a Semana de Sociologia e Filosofia.
Durante três dias os alunos dos ensinos fundamental e médio assistiram palestras e debateram temas polêmicos como consumismo, voto consciente, direitos humanos, maioridade penal, educação sexual e violência, em oficinas ministradas por professores de universidades e profissionais já formados. Ações culturais, como exposição de peças artesanais e teatro do oprimido, também tomaram conta do pátio da escola e como resultado, jovens antenados e melhor preparados para refletir sobre a realidade em que estão inseridos.
''Entrar em contato com professores e estudantes de universidades foi o melhor, pois eles trouxeram uma visão diferente da que a gente tem em sala de aula'', opinou o estudante Leonardo Lucion, 16 anos. Para Andrey Inácio, 16, que serviu de elo de ligação entre os professores e os estudantes durante a Semana, conhecer os bastidores da preparação do evento abriu horizontes. ''Se aprende mais nas oficinas, que são mais dinâmicas que as aulas normais. Alunos que antes não estavam interessados perguntavam quando seria a próxima palestra'', comentou.
Allyne Moya, 16, aluna do segundo ano do ensino médio, pôde aprofundar nas palestras e oficinas assuntos que ela achou que foram discutidos de forma superficial nas aulas regulares. ''Foi uma semana de conscientização para os alunos.'' Para Samanta Fernandes, 16, ''a gente não dá valor, acha que não vai usar a filosofia e a sociologia no dia a dia, mas acaba conhecendo melhor a realidade e refletindo sobre as atitudes tomadas pela sociedade depois de ouvir as palestras'', disse.
Federal
Segundo a professora de sociologia da escola, Angelica Lira, a Semana foi idealizada como forma de oportunizar um espaço para debate entre os alunos. Conforme o professor de filosofia Edi Carlos Aparecido Marques, as aulas de filosofia e sociologia tornaram-se obrigatória nos colégios estaduais no ano passado e foram aprovadas em nível federal este ano. O primeiro concurso para professores das áreas aconteceu em 2004, antes as matérias eram ministradas por pedagogos ou historiadores, de forma improvisada. ''As duas disciplinas ensinam o aluno a perceber onde ele está e pode ajudá-lo a entender melhor outras matérias também.''
''Esta Semana serviu para que a filosofia e a sociologia saíssem do ostracismo e reconquistassem espaço na escola'', disse o professor de filosofia Edivan Pedro dos Santos. A vice-diretora do colégio, Maria Regina Nicolau, destacou o comprometimento dos alunos com o evento. ''É uma maneira diferenciada de aprender, os professores se integram e levam os alunos a sério. A parceria com a universidade desperta o conhecimento nos alunos.''

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