Paulo Pegoraro
De Cascavel
Um dos colégios particulares mais tradicionais de Cascavel, o ‘‘Alfa Positivo’’, está utilizando filmes de conteúdo erótico para aulas sobre sexualidade. A ‘‘platéia’’ é formada por uma maioria de menores de idade, de ambos os sexos, na faixa dos 17 anos, frequentadores do chamado ‘‘terceirão’’. Segundo professores, há ampla receptividade à moderna proposta didática, porque alunos e pais entenderam a proposta: orientar de forma clara e objetiva os adolescentes para sua maturidade e cuidados com a saúde sexual.
Até agora, há apenas uma reação contrária aos filmes eróticos. O aluno D., 17 anos, do 3º ano, diz que os filmes são pornográficos, por apresentarem sexo explícito, e que é constrangedor, para meninos e meninas assistir coletivamente cenas de sexo. Ele afirma que não assiste, teme ser estigmatizado pelos colegas como desinteressado em sexo, e especula que se as meninas também se recusarem serão taxadas de ‘‘experientes e que não precisam aprender mais nada’’.
D., que foi suspenso recentemente das aulas por indisciplina, durante três dias – o fato não tem relação com o caso dos filmes –, diz que está chateado e revoltado com a apresentação dos filmes durante aulas de biologia e também em horário extra-classe. D. relata que os professores dizem aos alunos que não devem falar a seus pais sobre a exibição das fitas, porque eles estranhariam ‘‘por nunca terem visto isso na adolescência’’.
A Folha foi ao estabelecimento de ensino e conversou com um dos professores citados por D., Artur Simões Jr., 37 anos. O outro professor, Floriano Zarti, não estava na escola no momento da visita. Simões Jr., 18 de magistério, relatou que são exibidos filmes editados de conteúdo didático e científico, em apoio à informações sobre afetividade e sexualidade transmitidas aos alunos. O professor garantiu que os filmes tem como base o material produzido pelo psiquiatra inglês Andrew Stanway, ‘‘O Guia do Amor’’, no qual a sexualidade é tratada didaticamente.
Os filmes mostram cenas de sexo explícito, conforme o professor com o ‘‘natural erotismo’’. Mas acrescenta: ‘‘Não há nenhum sentido pornográfico’’. Segundo ele, ‘‘a pornografia está na cabeça de quem a imagina’’. Simões Jr. explicou que as aulas fazem parte do projeto ‘‘Pais e Filhos’’, desenvolvido pela escola, da qual também participam os pais. As fitas são exibidas em aulas regulares e em um curso acessório oferecido gratuitamente, sobre reprodução humana e sexualidade.
O diretor do colégio, professor João Rodrigues, acrescentou que a própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação determina que escolas ‘‘trabalhem questões como sexo, aborto e outros temas, assim como cidadania e ética’’. Conforme ele, em seu estabelecimento ‘‘ninguém tem reclamado das aulas e dos filmes’’.Professores de escola particular no Oeste do Estado mostram vídeos de conteúdo erótico para estudantes do 2º grau
Professor Artur Simões Jr., do Colégio Alfa Positivo, de Cascavel, com turma de alunos do ‘‘terceirão’’: aulas fazem parte do projeto ‘‘Pais e Filhos’’, desenvolvido pela escola

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