Filmes-denúncia vencem em Gramado
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de agosto de 2006
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> De Gramado, especial para a Folha 2 
''Anjos do Sol'' e ''Serras da Desordem'' foram os grandes vencedores entre os cinco longas-metragens selecionados para a mostra competitiva de filmes brasileiros do 34º Festival de Gramado, encerrado sábado à noite com termômetros a zero grau. O júri presidido pelo veterano cineasta Rodolfo Nani usou de prerrogativa prevista mas pouco comum, e por unanimidade conferiu ''ex-aequo'' o Kikito de melhor filme aos títulos dirigidos por Rudi Lagemann e Andrea Tonacci.
O prêmio especial do júri foi para o documentário ''Pro Dia Nascer Feliz'', de João Jardim, que foi ainda considerado o melhor longa brasileiro pelos júris da crítica e popular.
Lançado no circuito comercial brasileiro na última sexta, ''Anjos da Noite'' não tem meias palavras para promover, com força dramática e apelo popular, seu libelo contra o crime da prostituição infantil. Por sua vez, ''Serras da Desordem'', mais experimental, longo em demasia e um tanto dispersivo, é menos eficaz em seu discurso a favor da minoria indígena.
No segmento latino, o grande vencedor pelo júri oficial foi o mexicano ''El Violin'', que ainda levou, sem contestação, os prêmios de melhor filme pelos júris da crítica e popular, melhor roteiro e melhor ator para Don Angel Tavira. Na verdade, este excepcional título dirigido por Francisco Vargas Quevedo foi o melhor entre todos os dez longas das duas mostras competitivas.
A cerimônia de encerramento correu sem atropelos adicionais, além do apressado ritmo de palco imposto pelas exigências da transmissão televisiva direta. O mestre de cerimônias José de Abreu esteve bem menos ''over'' do que durante a semana, quando cometeu excessos inúmeros.
Entre os curtas metragens, um certo exagero nos prêmios acumulados por ''Alguma Coisa Assim''. Além de melhor filme, recebeu ainda os Kikitos para melhor atriz e direção. Outros destaques na premiação da categoria foram ''Manual Para Atropelar Cachorro'' e ''No Princípio Era o Verbo''.
Com a premiação conjunta destes dois filmes brasileiros, o Festival de Gramado, neste momento em busca de correção de rotas, reconcilia a ficção e o documentário, dois gêneros que andavam enclausurados e batendo de frente em competições que a mostra levava em paralelo. Unificar os títulos numa única competição foi decisão acertada.
Outro ponto positivo foi racionalizar a grade de programação, historicamente excessiva no período noturno, mas este ano redistribuída com acerto pelo período da tarde. Há questões delicadas ainda pendentes, como a nova curadoria da mostra, e que deverão ser avaliadas com calma. Mas não muita, porque os preparativos da edição 35 do evento já começaram.


