Filhote de tamanduá passa bem no zôo
Da Sucursal
Albari RosaAbraço Clotilde, a mamãe-tamanduá, passeia com o filhote agarrado às costas pelo zoológico: apego é estratégia de defesa da espécie em seu hábitat naturalDepois de duas tentativas anteriores frustradas, o zoológico de Curitiba conseguiu pela primeira vez reproduzir em cativeiro um exemplar de tamanduá-bandeira, espécie em extinção típica do cerrado brasileiro. O filhote, cujo sexo ainda não é conhecido, nasceu há duas semanas e já superou a fase crítica. Segundo os responsáveis pelo zoológico, são poucos os casos conhecidos de reprodução dessa espécie em cativeiro.
O pequeno tamanduá passa a maior parte do tempo agarrado ao dorso da mãe, Clotilde, ou de um dos outros três animais da mesma espécie existentes no zôo. Ele recebe acompanhamento constante, mas até agora não foi pesado nem examinado. Como é um animal de biologia muito delicada, preferimos não mexer com ele e sequer sabemos o sexo do filhote, explicou o diretor do Departamento de Zoológicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, o biólogo Luiz Roberto Francisco.
De acordo com Francisco, o apego do filhote aos semelhantes adultos é uma estratégia de defesa adotada pela espécie no seu hábitat natural, cuja destruição ameaça os tamanduás de extinção. Junto ao corpo de um animal adulto, o pequeno tamanduá fica quase camuflado.
Por enquanto, o filhote se alimenta apenas do leite materno. Dentro de algum tempo, passará a receber cupins e uma papa com suplementos vitamínicos. Em cativeiro, não conseguimos oferecer a quantidade e a variedade de insetos que são a principal fonte de alimentação dos tamanduás na natureza, por isso complementamos com a papa, diz Francisco.
A tamanduá Clotilde, mãe do novo habitante do zoológico, já havia dado à luz no zôo de Curitiba duas vezes, em 1994 e 95. Mas os filhotes nasceram debilitados e duraram menos de uma semana. De acordo com Francisco, o sucesso da reprodução em cativeiro depende de fatores como o ambiente, a alimentação e os cuidados veterinários. Outra dificuldade é obter informações precisas sobre os animais. Muitas vezes, não há certeza sequer sobre a idade, afirma.
Para que haja procriação, também é necessário que haja interesse espontâneo entre um macho e uma fêmea. No zôo de Curitiba, por exemplo, existem dois tamanduás machos e duas fêmeas, mas Francisco explica que isso não quer dizer dois casais. Por enquanto, temos um casal confirmado, afirma.
Os quatro tamanduás adultos vieram há três anos do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres de Campo Grande (MS). Com o novo membro da família, eles ocupam uma área de 200 metros quadrados no zôo, que em breve deve receber mais uma fêmea. O objetivo é ampliar o projeto de reprodução em cativeiro, que inclui várias outras espécies.





