Os filhos são o maior estímulo na vida das mulheres presas. Quando não estão na creche do presídio, ao lado delas, as fotos e as notícias servem para matar a saudade.
Os pais - antigos maridos, namorados ou casos passageiros - já não fazem mais parte dos planos dessas mulheres. Na maioria dos casos, eles simplesmente sumiram ou também estão presos. ‘‘O homem faz filhos, mas a mãe é responsável por eles a vida toda’’, diz a boliviana Suzana Perez Penedo, 36 anos. ‘‘A mulher tem de lutar e viver para os filhos.’’
O marido de Suzana a abandonou quando ela foi para a prisão, há cinco anos e três meses. As filhas mais novas, Paula e Jéssica, na época com quatro meses e um ano e meio, respectivamente, ficaram com Suzana. Os dois mais velhos foram para a Bolívia com a madrinha.
No final do ano passado, Suzana tentou deixar Paula e Jéssica, hoje com 5 e 6 anos, aos cuidados de uma família, mas não deu certo. ‘‘Elas não ficam sem mim, sou pai e mãe delas’’, diz. ‘‘Não acho bom que elas fiquem aqui. As duas têm de ter um mundo diferente.’’
Até o final do ano, Suzana deve sair da prisão. O destino será a Bolívia, onde poderá rever os dois filhos, depois de mais de cinco anos.
Irene Kuchar, 35 anos, também está longe dos cinco filhos. Em um ano e cinco meses de prisão, recebeu apenas uma visita, da irmã e de uma das filhas. A família é de Céu Azul (PR), daí a dificuldade do encontro. As notícias vêm por carta, a cada dois ou três meses, e por telefone, todo o mês.
Para suprir a falta dos outros filhos, Irene decidiu ficar com a mais nova, Milene, que nasceu na prisão e hoje tem 10 meses.
Quando sair, em outubro do ano que vem, Irene quer saber é dos filhos. Não quer mais ficar com o pai de Milene, ‘‘um caso’’, que está preso e deve ser libertado na mesma época que Irene. O pai dos outros filhos, com quem ela viveu 15 anos, morreu em 1994. (A.C.)

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