Filhos civilizados e felizes? É possível
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sábado, 31 de maio de 2008
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Criança de sete anos aprontando a mamadeira para a irmã caçula? Dizendo obrigado quando tem um pedido atendido? Filhos corrigindo os pais sobre como se sentar e se comportar em um restaurante? Muita gente que tem filho pequeno em casa deve estar pensando que isso tudo é sonho, afinal é dura a batalha de ter que trabalhar o dia todo e ainda educar os pimpolhos, transmitindo a eles, sem traumas, regras básicas de convívio social. Mas acredite: existem saídas.
A rotina atual não permite mais que pais e filhos passem longas horas juntos todos os dias da semana. E assim fica difícil garantir que as crianças tenham boas maneiras e consigam conviver em sociedade. Em boa parte das famílias, o pai e a mãe saem para trabalhar e quem assume os cuidados com as crianças é a babá ou empregada que, indiretamente, tem o compromisso de educar os homens e mulheres do futuro. Mas é preciso cuidado, advertem especialistas.
Outra aliada fundamental na tarefa de educar adequadamente os filhos de pais que trabalham é a escola. Muitas, além da educação dita formal, também incluem aulas de etiqueta e boas maneiras no período em que estão com as crianças. Em Londrina, a Escola Educativa desenvolve há cinco anos um projeto extra-curricular que enfoca regras de convivência social e de boa educação, culinária, entre outros tópicos. As atividades acontecem uma vez por semana e há até fila de espera.
Mãe de três meninas e tendo que trabalhar todos os dias, Juliane Soares Bortoto teve a primeira resposta positiva do curso há cerca de quatro anos, quando matriculou a mais velha, Giovana, 12, e percebeu que a filha passou a ter mais autonomia. Agora, quem freqüenta as aulas é Gabrielle, 8. Está sendo muito bom, porque ela era mais agitada, mais moleca mesmo, de personalidade forte, e hoje está bem mais calma e já consegue se controlar, valoriza Juliane. Tanto é que a caçula Giulia, 5, já copia hábitos corretos das irmãs. Até aquele comportamento exigente de criança está ficando para trás, conta a mãe. Elas passaram a respeitar muito mais, completa.
Na casa da família Tomitan Loução, as aulas de boas maneiras e culinária freqüentadas por Giovanna, 7, estão transformando a rotina. Quando não estão na escola, ela e a irmã Julianna, 3, ficam sob os cuidados de uma babá, uma amiga de total confiança da mãe, Celeste, que matriculou as filhas em uma boa escola porque precisa trabalhar. Hoje, a gente não tem mais o tempo que nossos pais tiveram, argumenta.
E os resultados, segundo a mãe, foram quase imediatos. Ela começou no início do ano e já percebemos mudanças. A Giovanna gosta muito de culinária e chega em casa querendo fazer as coisas que aprendeu. Hoje ela já prepara o próprio lanche e não passa mais apuros, afirma Celeste, que garante ainda que a filha já procura ser mais gentil com as pessoas: O obrigado, o boa tarde, o boa noite é sempre mais difícil. Tem que ser um hábito e percebo que ela está incorporando isso.


