Qual o poder de um elogio? Para crianças pode ser a diferença entre um bom e um mau comportamento. É o que está comprovando a psicóloga e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Cynthia Borges de Moura, com uma pesquisa iniciada no ano passado para sua tese de doutorado. O trabalho vem mostrando que basta os pais mudarem seu comportamento para que as crianças também mudem.
A princípio, a terapia parece ''simples demais'', mas os resultados rápidos mostram que não. Dirigido a crianças com idade entre três e seis anos, com problemas de agressividade e obediência, a base do trabalho é valorizar os bons comportamentos e elogiá-los. ''A mesma situação, se tratada de um jeito, pode criar um problema, e de outro, resolvê-lo'', afirma.
Mas, e qual pai ou mãe acha que não está elogiando o filho? A realidade aparece quando pais e filhos são filmados juntos, brincando. E bastam apenas 20 minutos de gravação numa das salas da Clínica Psicológica da UEL. ''A gente assiste, analisa, e depois vai mostrando ao pai, ou à mãe, como ele está agindo. E não tem como falar que não fez, está ali gravado'', explica Cynthia.
Nas sessões semanais, os pais relatam os problemas que enfrentam normalmente birras e agressividade quando os filhos são contrariados e recebem orientações. A equipe de trabalho da UEL, sob orientação de Cynthia, também faz uma avaliação da criança na escola. Além disso, os pais têm uma ''tarefa de casa'' dar atenção exclusiva ao filho por 10 minutos diariamente e exercitar sua habilitade de elogiar. ''É um tempo mínimo, e mesmo assim tem pai que fala que não consegue'', conta.
Outra orientação da psicóloga é abolir o ''mas'' quando se faz um elogio. ''O pai elogia: 'muito bem, lavou a louça, mas... largou a pia molhada. Esse 'mas' estraga o elogio que se acabou de fazer'', exemplifica, acrescentando que o melhor a fazer é deixar a observação para outra hora. Ou melhor ainda, deixar como uma instrução na hora do filho fazer a atividade neste caso, lavar a louça novamente. ''Aí você explica como deve ser feito e isso não soa como uma crítica''.
A terapia do elogio, no entanto, não significa tolerar tudo. Há momentos em que é necessário corrigir comportamentos. E mesmo nessa hora é preciso respirar fundo. Cynthia explica que é preciso criticar o comportamento, não a criança, evitando assim alguns ''rótulos'', como ''preguiçoso'', ''teimoso'', etc. ''Eu sempre falo para os pais botarem fé nos filhos. Ao invés de chamar, por exemplo, de 'moleque teimoso', porque não: 'você não é teimoso assim, porque está sendo teimoso nisso aqui?', ou 'isso que você fez é uma atitude mal-educada e não 'você é mal educado'', explica.
Dar opções de comportamento para a criança, quando ela pratica algo ''errado'' , é outra boa atitude. Cynthia ensina que ao invés de falar simplesmente ''tira a mão daí'', ''não risque a parede'' ou ''não fale assim com a sua avó'', o melhor é mostrar alternativas, do tipo ''pegue isso'', ''risque o papel'', ''trate sua avó assim...''. ''Dessa maneira você ensina o modelo que espera do seu filho, senão ele vai ficar sabendo só o que não é para fazer''.
O tratamento é rápido apenas dois meses. E essa é outra vantagem, segundo Cynthia. ''Você evita o estigma da criança que vai na terapia porque tem problema, e nessa faixa etária (três a seis anos), elas respondem bem rápido'', diz. No ano passado, 10 famílias participaram do estudo-piloto. Neste ano, a clínica deverá atender cerca de 16 famílias a cada dois meses. As incrições já estão abertas na Clínica Psicológica da UEL, através do telefone (43) 3371-4237.

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