Filho único do segundo casamento da mãe, que tem outros três filhos, o assistente comercial Cláudio Casavelha e a esposa, Renata Evangelista da Silva, caçula de quatro irmãos e única mulher, decidiram ser pais de uma filha única. Com dez anos, Nathalia Evangelista Casavelha se apega às amigas da escola e da igreja para aplacar a vontade de uma irmãzinha.
Pai, mãe e filha não se desgrudam, e o desejo da menina por uma irmã mexe com o coração dos pais que, apesar de também desejarem mais um filho, decidiram parar na primogênita. ''Ter outro filho envolve mais que vontade, é preciso tempo e dinheiro'', justifica Casavelha.
Para ele, a rotina diária da família seria ainda mais corrida se tivessem um segundo filho. ''Como nós dois trabalhamos, ela já não tem a nossa presença constante e isso faz diferença. Não creio que o colégio deva suprir a presença dos pais na vida dos filhos'', opina Casavelha, que gosta de participar da criação da filha. ''É muito gratificante, mas é preciso um cuidado extremo para estar presente.''
Ele aproveita o fato de trabalhar na rua para levar a filha à natação, ao inglês e à igreja, onde Nathalia participa de um projeto de dança. Para aproveitar ao máximo a companhia uns dos outros, a família sempre almoça junto. ''À tarde começa a loucura, o almoço é corrido e, apesar de morar nos fundos da casa da minhã irmã, fico ansioso de deixar a Nathalia sozinha em casa'', lamenta.
Renata conta que mesmo com os dias bem preenchidos, a filha também tem vontade de fazer aulas de pintura. ''Dinheiro influencia muito na vida dos casais'', comenta a mãe, que se diz tranquila com a escolha do casal: ''Levamos da melhor forma possível'', completa Casavelha.
O pai recorda que com a separação dos pais, quando tinha sete anos, ele foi bastante mimado e precisou aprender, ''na marra'', a descobrir os limites. ''Foi sofrido, por isso criamos a Nathalia diferente. Ela frequenta a escola desde pequena e aprendeu cedo a dividir, tanto que tem muitos amigos.''
Para Casavelha, viver em verdade é a melhor forma de garantir solidez à família. ''Mostrar a dificuldade da vida, não iludir ou prometer algo que não possa cumprir, deixar o filho a par de tudo o que acontece na família é, na minha opinião, fundamental para que filhos confiem nos pais e vice-versa.'' (M.G.)

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