Uma cena presenciada pela reportagem da Folha, numa das principais ruas de Londrina, é motivo de polêmica: uma mulher e seu filho, uma criança de dois anos, passeiam ligados por um fio onde, nas pontas, estão braceletes de velcro que se prendem nos braços dos dois.
A intenção da mãe é deixar a criança próximo dela, mas o problema é a impressão de que a mulher estaria levando a criança amarrada. Essa é, por exemplo, a opinião de uma professora universitária, que não quis se identificar mas procurou a Folha para relatar o fato. Ela viu a mulher andando com a criança em frente a uma escola. ''A criança ia andando na frente e a mulher atrás, com aquela 'corrente' ligando os dois. Uma coisa muito estranha'', declarou.
Segundo a professora, a mulher sempre passa em frente ao colégio onde sua filha estuda, num dos momentos de maior movimento da rua. A filha confirma e diz que a criança acaba sendo alvo de brincadeira de alguns alunos. ''Foi a primeira vez que vi, mas minhas amigas já tinham comentado sobre ela e a criança'', afirmou a estudante.
A reportagem da Folha esteve no local indicado pela professora e acabou encontrando a mulher e a criança, num ponto de ônibus. Sem se identificar, a reportagem se aproximou da mulher. Ela afirmou que o filho, uma criança negra, tem dois anos e estaria indo a um passeio com ela.
Sobre o acessório, a mãe disse que foi feito por ela mesma. É uma espécie de bracelete confeccionado com tecido, preso com um velcro que contorna o pulso da criança. Ele é ligado a outro bracelete no pulso da mãe, através de um cordão, parecido com um fio de telefone.
A reportagem encontrou acessórios bastante parecidos, importados, que são comercializados por uma loja de artigos infantis na cidade. Uma funcionária da loja informou que este tipo de artigo não tem muita procura: ''O brasileiro ainda tem muito preconceito contra esse tipo de coisa. Até hoje só vendemos dois exemplares'', afirmou.
Questionada sobre o motivo de usar o bracelete na criança, a mãe disse que utiliza como forma de segurança, evitando que o filho vá para a rua ou se perca dela. A reportagem indagou sobre essa maneira de ensinar a criança sobre os perigos e ela se justificou, dizendo que isso é comum em outros países. ''Na Europa e nos Estado Unidos isso é comum. Só aqui no Brasil é que as pessoas estranham''.
A reportagem perguntou à criança se o acessório machuca seu braço, mas a mãe se adiantou em informar que não e evitou mais perguntas, entrando no ônibus com a criança. Ficou a impressão que a mãe trata a criança com carinho e é correspondida pelo filho.
A Folha também entrou em contato com a escola onde a criança estuda. Uma funcionária que preferiu não ser identificada disse que nunca viu a criança chegar à escola nessa situação e que o tratamento da mãe em relação ao filho é normal. ''Ela é muito cuidadosa com o filho, uma pessoa de boa conduta e sensata. A criança não apresenta nenhuma dificuldade, é alegre e comunicativa. Aparenta sempre estar muito bem e feliz'', afirmou.
A Folha procurou novamente a mulher, desta vez por telefone, se identificando e informou sobre a intenção do jornal de publicar uma matéria sobre o assunto. Ela se negou a dar entrevista.

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