Filho de fazendeiros assassinados é preso
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2002
Guilherme Gouveia Reportagem Local 
Arapongas - A justiça de Pitanga (88 km ao norte de Guarapuava) decretou ontem a prisão temporária (30 dias) de Liberaldo Lopes Flores Júnior, 34 anos, acusado de ser o mandante do assassinato de seus pais, Liberaldo Lopes Flores, 65 anos, e Shirley Flores, 62. O casal foi encontrado morto com tiros na cabeça, na última terça-feira, em uma estrada rural, no município de Pitanga.
Liberaldo foi preso ontem à tarde, quando se apresentou na delegacia de Arapongas (37 km a oeste de Londrina), onde moravam seus pais. Ontem mesmo ele seria transferido para a delegacia de Guarapuava. Ele também foi autuado por uso e porte de entorpecentes.
O delegado responsável pelo inquérito, Valter Vicente de Oliveira, de Guarapuava, disse ontem ter vários indícios que provam o envolvimento do acusado no duplo homicídio. Preciso apenas ouvir algumas testemunhas para comprovar a versão, disse. Além do depoimento de liberaldo, o delegado ouviu dois filhos do casal e alguns familiares.
Um dos indícios apontados pelo delegado é o impasse criado entre pai e filho em torno da venda da fazenda de Nova Tebas, região central do Estado. Segundo ele, o pai teria vendido a propriedade, através do programa Banco da Terra, mas o filho seria contra. Em janeiro o pecuarista foi fazer a contagem final das cabeças de gado e notou a falta de 85 delas. O delegado acredita que o filho tenha vendido os animais, mas disse ao pai que eles teriam sido roubados.
Liberaldo Júnior negou à imprensa que tenha participado do assassinato dos pais. Eu não matei meus pais, eu sou inocente, disse repetidas vezes. O motorista de um antigo sócio da vítima, que participou das buscas aos corpos desaparecidos, disse à Folha que ficou espantado com a frieza de Liberaldo Júnior. Segundo ele, o filho acompanhou as buscas sem demonstrar qualquer sentimento de culpa.
A justiça autorizou também a prisão temporária de outro envolvido que, segundo Oliveira, pode ser o autor dos disparos. O suspeito - ainda foragido - seria um funcionário da fazenda, chamado Dorival. A polícia trabalha ainda com a hipótese de o próprio Liberaldo ter participado diretamente da execução.
Hoje, o delegado ouvirá algumas testemunhas que disseram ter visto o acusado sair com a caminhonete das vítimas logo após o assassinato. Os advogados da família também seguem hoje para Guarapuava a fim de acompanhar os depoimentos e os desdrobramentos das investigações. Ontem, uma advogada do suspeito não quis adiantar os próximos passos da defesa. Como o delegado solicitou também a prisão preventiva do acusado, é bem provável que os advogados peçam na justiça o relaxamento da mesma.
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