Indignado com a liberdade de Ibrahim José Barbino réu confesso do homicídio do patrão Ciro Frare, de 67 anos , o filho da vítima fala pela primeira vez à imprensa. ''Não importa quanto tempo demore para ele ser julgado, só não me conformo dele estar em liberdade. Além disso, o advogado dele diz que agora ele vai retormar sua vida'', desabafa Alexandre Frare.
Ciro Frare foi assassinado dentro da concessionária Cipasa, em 24 de junho de 2004. Ibrahim Barbino era gerente da empresa. Em entrevista exclusiva à Folha, o filho do empresário confessa que não vem a Londrina desde o crime, pois teme por sua segurança. ''Meus filhos me perguntam se isso vai acontecer comigo, já que o avô deles saiu para trabalhar e morreu'', relata.
Alexandre relembra que o assassino de seu pai começou a trabalhar na empresa quando ele nasceu. ''O Ibrahim começou como contínuo e chegou à gerência da empresa. Era de extrema confiança.'' O problema, segundo o filho da vítima, começou no início de 2004, quando perceberam que as contas da empresa estavam irregulares. ''Foi então, que marcamos uma reunião para ele esclarecer tudo'', relata.
Dias antes do crime, quem deveria viajar até Londrina era o próprio Alexandre. ''Meu pai pediu para ir porque conhecia o Barbino há mais tempo e seria mais fácil a conversa'', declara. O filho da vítima acredita que não iria fazer diferença se ele tivesse viajado no lugar do pai. Alexandre Frare afirma que o crime foi premeditado, pois vários papéis da empresa tinham sumido quando seu pai chegou.
Alexandre diz que já passou por outros casos de fraude em uma de suas empresas e a resolução do problema sempre foi pacífica. ''A gente conversava e afastava a pessoa. Logo tudo voltava ao normal'', diz. Ele acredita que Barbino já tinha feito sua escolha dias antes, optando pelo crime e não pela explicação das contas da Cipasa.
''Em anos de trabalho o meu pai nunca encostou a mão em nenhum funcionário'', afirma Alexandre Frare. O empresário conta que, um mês antes, Barbino esteve em Curitiba para tentar explicar o que estava acontecendo. ''Ele pediu a meu pai que demitisse todo mundo, para começar uma vida nova'', declara.
Formado em Direito, Alexandre Frare afirma que sua primeira experiência com a Justiça Criminal está sendo bem frustrante. ''A minha mãe está em depressão e ele (Barbino) está retomando a vida como se nada tivesse acontecido.'' Ele e toda a família não se conformam que um réu confesso continue em liberdade.
Atualmente o processo está na fase de ouvir as testemunhas de defesa, e segundo o juiz da 1 Vara Criminal de Londrina, João Cleve Machado, se o réu continuar em liberdade, o julgamento deverá ocorrer apenas em 2006. Desde a data do crime os advogados da família da vítima e a promotora da 1 Vara já pediram três vezes a prisão preventiva de Barbino, mas todos os pedidos foram negados.
A reportagem da Folha tentou entrar em contato com o advogado de acusado, Antônio Amaral, mas ele estava viajando e o celular estava programado para não receber chamadas. O telefone de Ibrahim José Barbino não é divulgado pela empresa telefônica.

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