A hóstia é um pequeno alimento feito de farinha e água que, no catolicismo, ao ser consagrada, é oferecida aos fieis em comunhão. Mas afinal, onde é feita a produção dessa espécie de pão? Em toda a Arquidiocese de Londrina e em outras cidades do Paraná como Cascavel, Umuarama, Cornélio Procópio, Apucarana, entre outras, as hóstias são produzidas na rua Ceará, 151, no jardim Ideal, na zona leste de Londrina, pelas irmãs do Instituto das Filhas de São José.

A congregação religiosa feminina está em atividade na cidade há 33 anos e tem como lema “trabalhar no silêncio”, assim como São José, patrono do instituto. Em entrevista à FOLHA, a irmã Cícera da Cruz, custodia das Filhas de São José há sete anos, explicou que a produção das hóstias para toda a arquidiocese é feita na casa que é sede da congregação e comercializada também a outros municípios.

Irmã Cícera da Cruz: "Em cada hóstia, vai um pouco das nossas orações”
Irmã Cícera da Cruz: "Em cada hóstia, vai um pouco das nossas orações” | Foto: Matheus Camargo

“É uma congregação de irmãs dedicada ao serviço do culto eucarístico. Nós nos chamamos Filhas de São José porque nosso fundador tinha devoção a São José e queria que ele fosse nosso patrono. Ele desejava que imitássemos São José no sentido de que a filha de São José deve trabalhar e ganhar o pão com o suor do próprio rosto, como qualquer operário normal. Por isso, trabalhamos e nos sustentamos com nosso trabalho, e é por isso que somos Filhas de São José”, disse a irmã, citando o presbítero italiano Clemente Marchisio, que em 19 de março de 1875, no dia de São José, fundou a congregação em Rivalba, na Itália. O instituto completou 150 anos na última quarta-feira (19).

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Produção em alta

A FOLHA conheceu o local de produção, que fica na casa que é a sede do instituto em Londrina. São dois ambientes distintos para a produção dos pequenos pães. A mistura é feita com farinha e água e assada em uma temperatura elevada em prensas térmicas, onde fica por alguns segundos até que se forme um disco. Logo depois, é impresso o símbolo religioso. Ainda nesse ambiente, as bordas são aparadas. O disco é cortado em outro ambiente, onde se transforma em dezenas de hóstias. A produção é feita em várias medidas, tanto para os fieis quanto para os sacerdotes, que consomem hóstias maiores. São mais de 200 mil hóstias por dia, que são embaladas e enviadas por transportadoras para várias cidades.

No Brasil, o Instituto das Filhas de São José está em Londrina, São Paulo e Fortaleza
No Brasil, o Instituto das Filhas de São José está em Londrina, São Paulo e Fortaleza | Foto: Matheus Camargo

“Nossa devoção a São José vem desse princípio. Ele trabalhava no silêncio, no escondimento, em sua carpintaria. Não temos muita publicidade, trabalhamos no silêncio e no anonimato. Faz todo sentido em nossa história. Colocamos nossas intenções pela humanidade, pelas pessoas que sofrem, e, em cada hóstia, vai um pouco das nossas orações e sacrifícios”, seguiu Cícera da Cruz.

O Instituto das Filhas de São José possui o mesmo intuito em todo o mundo e atua na produção de hóstias em vários países. No Brasil, a congregação está em Londrina, São Paulo e Fortaleza. Ainda na América do Sul, estão em Buenos Aires e Córdoba, na Argentina. Há ainda a presença do instituto em países como México, Nigéria e Itália, onde possui sua maior concentração, com 15 sedes.

“Não é apenas uma produção para arrecadar fundos, não se trata só disso. O principal objetivo é fazer com que Jesus seja adorado em vários lugares. Também temos um custo, e, com isso, nos mantemos, através do nosso trabalho”, destacou a custodia.

No último dia 19, irmã Zenaide completou 50 anos de vida religiosa
No último dia 19, irmã Zenaide completou 50 anos de vida religiosa | Foto: Matheus Camargo

DIA DE FESTA

A última quarta-feira foi dia de festa no Instituto das Filhas de São José. Além de 19 de março ser o dia do santo patrono, data de fundação e aniversário da congregação, que completou 150 anos, também foi o dia de comemoração de 50 anos de vida religiosa de uma das irmãs mais antigas do instituto, a irmã Zenaide, de 85 anos, que mesmo recolhida segue vivendo junto às outras irmãs em Londrina.

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