Filha do casal assassinado no Rio deve ficar no Brasil
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de dezembro de 2003
Fabiana Cimieri e Fernanda da Escóssia<br>Agência Folha 
Rio de Janeiro - O juiz da 2ªVara da Infância e da Juventude do Rio, Guaraci de Campos Vianna, determinou, na noite de sexta-feira, que a filha mais velha do casal Staheli, de 13 anos, só pode deixar o Brasil com autorização judicial. O pedido foi feito pelo delegado titular da 16ªDelegacia de Polícia, Marcus Henrique Alves, que investiga o caso. Horas antes, o advogado João Mestieri, que acompanhou a adolescente e o filho de dez anos dos Staheli em seu depoimento na Justiça, dissera que as crianças não iriam participar da reconstituição da morte dos pais e que voltariam brevemente aos EUA.
No depoimento das crianças - que durou duas horas e meia e não foi assistido pela imprensa -, o filho de 10 anos disse que a machadinha encontrada na casa é dele, não está com a lâmina afiada e foi comprada na Escócia. Segundo relato da assessoria do Tribunal de Justiça, o menino disse que, na véspera do crime, mostrou a machadinha à amigos e guardou-a em seu closet.
Em seu depoimento, Jeffrey Turner, amigo da família e primeiro adulto a chegar à casa após o crime, disse que viu a machadinha, de manhã, num canto do banheiro da filha mais velha. Mais tarde, por volta de 13h, viu o objeto em outra posição, no mesmo banheiro. Tanto a filha mais velha quanto o irmão disseram que, quando Turner e sua mulher, Carolyn, chegaram à casa, o portão estava destrancado. Segundo a adolescente, a mãe costumava, antes de dormir, verificar se estava tudo fechado.
A jovem contou que foi a última a se deitar no sábado, por volta das 23h30. Foi ao quarto dos pais e viu que a porta estava entreaberta, como era costume na família. Segundo o relato da adolescente, de madrugada, a irmã caçula, de três anos, foi para a cama dos pais. Achou que eles estavam sujos de lama e deitou-se entre as pernas do pai.
Por volta das 6h30 de domingo, o menino ouviu o despertador do quarto dos pais tocar sem parar. Foi até lá, viu os pais ensanguentados, parou o despertador e chamou os irmãos. A filha mais velha contou que retirou um travesseiro que estava sobre o rosto do pai e que pegou a irmã de três anos e levou-a para o seu quarto. Segundo o menino, nenhuma das crianças sujou as roupas de sangue. A adolescente disse que só a irmã de três anos sujou de sangue um pedaço da manga do pijama.
Tanto a menina de 13 anos quanto o garoto disseram que não havia nem jóias nem dinheiro no quarto do casal. A amiga Carolyn afirmou que Michelle deixou todos os objetos de valor nos EUA. A filha disse que, há cerca de 15 dias, sumiu da casa uma flauta, de valor aproximado de US$ 200. Segundo ela, a mãe desconfiava da empregada, Auricélia dos Santos Martins.
Carolyn Turner disse que, assim que foi avisada pela adolescente do crime, ligou para o motorista da família Staheli, Sebastião Moura, e pediu que ele avisasse a polícia e chamasse uma ambulância. Os policiais chegaram antes dos médicos.


