Filha de dono diz que a família agiu pacificamente
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segunda-feira, 28 de abril de 1997
Da Redação 
Vamos continuar brigando pelo que é nosso, disse ontem a filha do proprietário da fazenda Borborema, Salma Burihan Delalibera. Segundo ela, a família vem agindo pacificamente com os sem-terra desde que a fazenda foi ocupada há sete meses. A Justiça já concedeu reintegração de posse mas os sem-terra não aceitam deixar a área. Há 20 dias - ela afirma - a convivência se tornou mais difícil: Eles fizeram lotes na fazenda como se já estivessem assentados.
Ela conta que seu pai chegou a oferecer uma área de 14 alqueires para que montassem o acampamento. Segundo Salma, a oferta do espaço aos sem-terra foi feita para que as atividades na fazenda não fossem interrompidas. Os invasores vinham dificultando o acesso no local.
Ela diz que, com a chegada do inverno, a alimentação das cerca de mil cabeças de gado mantidas na fazenda começou a causar preocupação. No mês passado, os proprietários pediram aos sem-terra que deixassem a área para construção de um depósito para armazenar o milho. Plantamos o milho, que seria estocado, mas não deixaram fazer a silagem.
A saída, conta, foi arrendar a área de 110 alqueires para o plantio de aveia, que poderia alimentar o gado em 60 dias. No terreno foi aplicado calcário para corrigir a acidez do solo. Tentamos várias vezes negociar a saída deles de lá. Solicitamos ajuda da Secretaria de Agricultura, da Sociedade Rural e do Incra mas não teve jeito com os sem-terra.
No sábado, o arrendatário pediu a saída dos ocupantes. Salma diz que seu irmão e seu marido estiveram no local para se certificar de que não houve problema algum. O pessoal saiu sem nenhum arranhão. Meu pai ainda pediu que matassem um carneiro para servir para eles. Ela se diz inconformada: Sou a favor da reforma agrária, mas não dessa.
Salma Delalibera afirma que sua família vem sendo ameaçada de morte. Vários boletins de ocorrência, ela garante, já foram registrados. Estamos comendo o pão que o diabo amassou.
(Luka Morais)


