‘‘Vamos continuar brigando pelo que é nosso’’, disse ontem a filha do proprietário da fazenda Borborema, Salma Burihan Delalibera. Segundo ela, a família vem agindo pacificamente com os sem-terra desde que a fazenda foi ocupada há sete meses. A Justiça já concedeu reintegração de posse mas os sem-terra não aceitam deixar a área. Há 20 dias - ela afirma - a convivência se tornou mais difícil: ‘‘Eles fizeram lotes na fazenda como se já estivessem assentados.’’
Ela conta que seu pai chegou a oferecer uma área de 14 alqueires para que montassem o acampamento. Segundo Salma, a oferta do espaço aos sem-terra foi feita para que as atividades na fazenda não fossem interrompidas. ‘‘Os invasores vinham dificultando o acesso no local.’’
Ela diz que, com a chegada do inverno, a alimentação das cerca de mil cabeças de gado mantidas na fazenda começou a causar preocupação. No mês passado, os proprietários pediram aos sem-terra que deixassem a área para construção de um depósito para armazenar o milho. ‘‘Plantamos o milho, que seria estocado, mas não deixaram fazer a silagem.’’
A saída, conta, foi arrendar a área de 110 alqueires para o plantio de aveia, que poderia alimentar o gado em 60 dias. No terreno foi aplicado calcário para corrigir a acidez do solo. ‘‘Tentamos várias vezes negociar a saída deles de lá. Solicitamos ajuda da Secretaria de Agricultura, da Sociedade Rural e do Incra mas não teve jeito com os sem-terra’’.
No sábado, o arrendatário pediu a saída dos ocupantes. Salma diz que seu irmão e seu marido estiveram no local para se certificar de que não houve problema algum. ‘‘O pessoal saiu sem nenhum arranhão. Meu pai ainda pediu que matassem um carneiro para servir para eles.’’ Ela se diz inconformada: ‘‘Sou a favor da reforma agrária, mas não dessa’’.
Salma Delalibera afirma que sua família vem sendo ameaçada de morte. Vários boletins de ocorrência, ela garante, já foram registrados. ‘‘Estamos comendo o pão que o diabo amassou.’’
(Luka Morais)

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