Londrina
Alguns londrinenses têm se deparado com mais uma dificuldade para arrumar emprego: a falta da Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS).
São inúmeros os casos de desempregados que perdem oportunidades porque não têm a carteira em mãos. Isso tem acontecido porque desde janeiro foi implantado no País o novo sistema de fornecimento da CTPS. Preocupados com as fraudes que envolvem o recebimento do Seguro Desemprego, técnicos do Governo Federal criaram uma nova carteira e burocratizaram o cadastramento.
O resultado pode ser visto na Subdelegacia do Trabalho em Londrina: filas que começam de madrugada e demora de até 90 dias na entrega da carteira.
‘‘O Paraná foi o primeiro Estado a implantar o sistema. Existem essas dificuldades porque estamos passando por ajustes normais de uma nova forma de trabalhar’’, justifica o subdelegado do Trabalho de Londrina, Dorival Silvestre Arantes. Ele garante que em agosto tudo estará normalizado.
Ao admitir a lentidão atual do sistema, o subdelegado orienta os empregadores: é possível contratar normalmente funcionários que tenham apenas o protocolo da CTPS. ‘‘A nossa orientação é que o funcionário seja registrado normalmente. Quando a Carteira ficar pronta é só preencher os dados’’, diz o delegado. Segundo ele, esse procedimento é perfeitamente possível e aconselhável.
O maior problema, entretanto, é a perda de oportunidades de emprego por falta da Carteira de Trabalho. A auxiliar de serviços gerais Neusa Carolina da Silva Cesário conta que seus dois filhos, Leandro, 18 anos, e Alexandro, 14 anos, não estão empregados por não terem a CTPS.
‘‘Eles tiveram oferta de emprego. Procuramos a Prefeitura de Cambé e a subdelegacia de Londrina. Como iria demorar para sair a carteira, achamos que nem adiantava entrar com os papéis’’, conta.
O motorista José Íris Trindade de Almeida enfrenta situação parecida. A filha, Josiane, de 14 anos, espera a chegada da CTPS desde a primeira quinzena de abril. ‘‘Ela está trabalhando, mas sem registro, e corre o risco de perder o emprego, caso não chegue a carteira’’, explica, preocupado.
A empregadora de Josiane afirma não poder registrá-la. ‘‘Só aceitei que ela trabalhasse porque sou amiga da família. Deixei de contratar outras pessoas porque estavam na mesma situação.’’
A empresária teme ser multada pela Delegacia Regional do Trabalho, por isso diz que não sabe até quando vai manter Josiane no emprego. ‘‘Quando os fiscais chegam e encontram uma situação irregular, não querem saber de nada. Vão logo multando’’, afirma.
A multa para trabalhador sem registro, conforme a empresária, é de R$ 408,00. ‘‘dinheiro difícil de ganhar’’, complementa.
Arantes faz um alerta: a subdelegacia vai continuar multando. ‘‘Se é possível fazer o registro, não tem por que o trabalhador ser penalizado, ficando sem registro’’, argumenta. ‘‘A nova carteira não veio agravar um problema social, que é o desemprego, mas sim evitar desvios do erário público.’’

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