Levino Salvador Garcia, 64 anos, é o último dos funcionários da antiga cervejaria que ainda trabalha onde a fábrica funcionava. Contratado como caseiro pelo atual dono do terreno e dos prédios, ele diz que tem a alegria de poder permanecer no local onde tanto trabalhou e foi feliz. ''Em 1983, a sessão na qual eu trabalhava, a do engarrafamento, ganhou o campeonato interno da firma, com um gol meu no último minuto... Tinha cada festa aqui, com cerveja de graça ou bem baratinha'', conta todo empolgado.
Próximo à antiga casa de máquinas, ele mostra placas que hoje já não tem mais utilidade, como a que pede o uso de equipamentos de segurança, esquecidas ao lado de uma goiabeira, que brotou no meio do concreto e se expande pelo buraco de uma janela. ''Obra de algum passarinho'', comenta.
Falando do setor em que trabalhava, Levino tem os números na ponta da língua. ''Quando tínhamos só a engarrafadora antiga, a produção era de mil garrafas por hora. Levava um dia inteiro para encher um caminhão. Formavam-se filas deles. Depois vieram máquinas novas e a produção passou a ser de 23 mil cervejas por hora. A máquina antiga ficou só para refrigerantes. Mas a Brahma disse que era preciso produzir ainda mais e que aqui não tinha jeito. A história termina assim'', finaliza. (W.S.)

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