Se por um lado dezenas de pessoas não conseguem receber do governo remédios excepcionais e de alto custo, quem tem de graça medicamentos controlados vem se resignando a aceitar sem reclamar, todos os meses, uma espera que chega a até uma hora. Quem costuma buscar medicamentos controlados na Vila da Saúde já está até aprendendo que é bom chegar cedo para enfrentar uma fila menor. ''Se você resolve dormir um pouco mais e deixar para vir no meio da manhã, a fila é bem maior. Já cheguei a ficar 40 minutos esperando'', contou o sorveteiro Geraldo da Silva Campos, que chegou pouco depois das oito da manhã de ontem à Vila da Saúde e aguardou cerca de 20 minutos para ser atendido. ''No posto antigo era a mesma coisa. E é pior ainda no começo do mês'', complementou.
''Nunca vi ninguém reclamar. A gente já sabe que é assim, e não reclama porque precisa desses remédios. Pelo menos estamos ganhando'', amenizou a dona-de-casa Luiza Verrilo, 66 anos, que já chegou a aguardar na fila durante uma hora.
Os remédios de saúde mental e insulina têm sido entregues na Vila da Saúde desde que o Centro de Saúde entrou em reforma, no final de julho. Para evitar deixar as pessoas aguardando na calçada, sob o sol forte ou uma eventual chuva, a fila é transferida para o pátio interno da Vila assim que é concluída a limpeza do local, onde são disponibilizados cadeiras e banheiros. ''Nós dispomos de três guichês de atendimento, onde são conferidas as receitas, a assinatura do médico, a última vez em que esse medicamento foi retirado, o estoque e outras informações. Esse controle é fundamental. Além disso, temos uma demanda crescente por medicamentos. Atendemos 500 pacientes de saúde mental por dia, além de uns 3 mil que vêm buscar insulina todo mês'', justificou Angela Lima, gerente de saúde mental do município.
Angela afirmou que a demanda é menor no início da manhã e da tarde. ''Nos outros horários, a fila é maior, mas a espera é de no máximo uma hora'', assegurou, acrescentando que a procura também é maior às sextas-feiras. ''Já estamos estudando formas de reduzir a espera, talvez descentralizando a entrega de insulina, por exemplo'', adiantou.
Para a dona-de-casa Sueli Bernardo, que há dez anos retira medicamentos gratuitos para seu filho na rede municipal, a descentralização seria a melhor solução. ''Eu pego remédios aqui e na 17 Regional de Saúde. Melhor seria se pudesse pegar tudo no mesmo lugar, ou se pudesse buscar no posto de saúde mais perto de casa'', sugeriu.

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