Existe coisa mais irritante que enfrentar uma fila de banco? A telefonista Estela Ramos, 45 anos, de Londrina, garante que não. ‘‘Fico estressada e as minhas pernas começam a doer porque tenho problemas de varizes’’, relata. Na última vez que teve de ir ao banco, ela amargou 1h15 na fila para poder depositar dinheiro na conta corrente da mãe.
Vanderlei Ferreira: desrespeitoA telefonista é apenas um personagem em meio a milhares que são obrigadas a enfrentar uma fila de banco. E quem costuma ir a uma agência bancária sabe: o problema se agrava nos dias de pico - início e final do mês, quando trabalhadores recebem seus salários, véspera de feriado prolongado e na segunda-feira.
Mesmo com a informatização e recursos que bancos dizem colocar à disposição dos clientes, em muitos casos não há como fugir das filas. ‘‘Muitas contas ainda precisam ser pagas em banco, como tributos estaduais e da União, títulos e duplicatas’’, observa o presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina, José Francisco da Silva.
Depósitos em dinheiro e desconto de cheques também são serviços que obrigam o usuário a passar pelos caixas. ‘‘Os mais prejudicados e quem enfrenta filas são os pequenos clientes e os usuários - aqueles que não possuem conta, mas precisam ir ao banco’’, ressalta.
Ana Paula: tentar manter a calmaÉ o caso do funcionário do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Vanderlei Alberto Ferreira, 40 anos. Duas vezes por mês, ele vai ao banco para descontar o cheque referente ao pagamento do salário e do vale. ‘‘É um desrespeito porque as pessoas que têm conta ficam em uma fila e são atendidas rapidamente. Mas eu e outras pessoas que não são correntistas somos obrigados a ficar horas em uma outra fila’’, diz, revoltado.
Ferreira conta que toda vez que vai ao banco fica, no mínimo, 40 minutos. ‘‘Na fila fico ouvindo todo mundo reclamar. Uma vez vi até uma mulher desmaiar’’, relata. Na sua opinião, de nada adianta colocar funcionários para ajudar os usuários na fila se o atendimento é deficitário. ‘‘Teriam que colocar gente nos caixas’’, resume. ‘‘Os trabalhadores são obrigados a perder tempo na fila enquanto os bancos arrecadam fortunas.’’
Enquanto muitas pessoas se irritam nas filas, outras procuram manter a calma e tentam encontrar alternativas para passar o tempo. ‘‘Fico aqui, vendo as pessoas passarem no Calçadão e ouvindo música, enquanto o banco não abre’’, diz a estudante Ana Paula do Prado, 20 anos. Na quarta-feira, ela tinha que pagar a mensalidade da faculdade onde estuda e resolveu chegar meia hora antes do banco abrir para não ter que enfrentar uma grande fila. ‘‘Tenho um compromisso às 11h30 e resolvi não arriscar’’, justifica.
Francisco: problema sem soluçãoPrevenida, Márcia Regina da Silva levou uma revista para ler enquanto esperava, na fila, o banco abrir. ‘‘Vim entregar uma papelada para dar entrada no seguro-desemprego e sabia que ia enfrentar uma longa fila. Por isso, trouxe a revista’’, explica. ‘‘É um tempo que a gente perde, ficando na fila. E hoje ainda tinha tanta coisa para fazer’’, lamenta.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina, José Francisco da Silva, não vislumbra uma solução para as filas bancárias. Ele afirma que, ao contrário do que os bancos alegam, a informatização dos serviços não veio para somar. ‘‘A tecnologia deveria existir para reduzir estas filas, mas, pelo contrário, os bancos fazem ajustes em outros segmentos e as filas continuam do mesmo tamanho’’, observa. ‘‘Eles sempre vão querer aumento de lucro e redução de custo’’, acrescenta.
Silva critica ainda a postura da maioria dos bancos de oferecer filas diferenciadas para os clientes preferenciais e os pequenos correntistas ou usuários. ‘‘A Constituição diz que tem de haver sempre igualdade no tratamento às pessoas. Todo mundo é igual perante a lei’’, afirma. Segundo ele, podem existir filas diferenciadas para gestantes ou idosos, mas não para privilegiar. Em Londrina são 24 bancos, sendo 53 agências e 40 postos de atendimento bancário.

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