Todo dia é a mesma situação: por volta das 4 horas, os primeiros trabalhadores iniciam uma fila em frente à subdelegacia do Ministério do Trabalho, no Jardim Shangri-lá, Zona Oeste de Londrina, para tirar a carteira de trabalho. E mesmo com a distribuição diária de apenas 90 senhas, a fila chega a reunir mais de duas centenas de pessoas.
Na manhã de ontem não foi diferente. Esperando uma senha para a esposa, que apenas precisava substituir o nome de solteira pelo de casada no documento, o pintor Jurandir Nascimento foi o primeiro a chegar à subdelegacia. Menos de 15 minutos depois, o segundo contribuinte chegou e às 7h20 a aglomeração já superava 120 pessoas.
''Minha esposa veio ontem (anteontem), às 8 horas, mas as senhas já tinham acabado. Vim no lugar dela mais cedo, para resolver logo esta burocracia'', comentou Nascimento, que pouco antes da abertura dos portões trocou de lugar na fila com a esposa, que veio à pé, da Vila Rica (Centro).
Ao lado do pintor, mas fora da fila, a dona de casa Lucia Alves Ribeiro, moradora da Vila Industrial (Zona Oeste), aguardava para retirar a carteira de trabalho do marido, que foi renovada no dia anterior. Ela chegou ao local às 5 horas e estava apreensiva em saber se iria ou não ser atendida. ''Informaram ao meu marido que como é só para buscar o documento, eu não precisaria ficar na fila, mas estou incomodada em passar na frente de quem está esperando. Se fosse comigo, não iria gostar'', confessou.
Cinco minutos antes das 8 horas, um funcionário do Ministério iniciou a distribuição das senhas: 45 pessoas seriam atendidas pela manhã e outras 45 deveriam retornar à tarde, após às 13 horas. O estudante Wellington Augusto Ballieiro foi contemplado com a última senha. Ele chegou ao local às 7 horas, mas já havia tentado obter uma vaga no dia anterior, sem sucesso. ''Resolvi aproveitar as férias para tirar minha primeira carteira de trabalho'', justificou.
Sem sorte, as amigas Letícia Silva e Daniele Almeida, que também entraram na fila a partir das 7 horas, ficaram sem senha e iriam retornar ao Ministério do Tabalho hoje. ''Não tinha ideia de que a fila era tão grande'', comentou Letícia, que já trabalha e precisa do documento para ser registrada. Já Daniele quer ter a carteira de trabalho em mãos antes de sair em busca de uma colocação. ''Vamos ter que madrugar na fila'', constatou.

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