Fila para cuidar dos dentes
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Meses de espera por atendimento odontológico e quatro dentes perdidos. O drama vem sendo vivido pela empregada doméstica Cleonice de Castro da Silva, de 37 anos, moradora do Jardim Santiago (Zona Norte), em Londrina. O município conta, desde outubro do ano passado, com um Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), inaugurado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a intenção de resolver problemas graves de saúde bucal na população adulta, como o enfrentado por Cleonice. Quase quatro meses depois, porém, ainda tem gente tentando ter acesso ao atendimento especializado.
''Há uns seis meses eu procurei o Posto de Saúde aqui do bairro com dor de dente, e fui cadastrada. Eu queria tratar para não perder os dentes, mas não teve jeito. Quando a dor apertou, fui na clínica do Hugo Simas (Clínica Odontológica Universitária, da Universidade Estadual de Londrina, que funciona ao lado do Colégio Estadual Hugo Simas, na Área Central) e pedi para arrancar'', conta a empregada doméstica, que vive com uma filha menor e mora de aluguel, ganhando um salário mínimo por mês. ''Não tem como pagar tratamento particular.''
A vizinha Roseli Vieira, 40 anos, dona de casa, conseguiu fazer um tratamento de canal no CEO, mas os outros dentes continuam aguardando atendimento. ''Me falaram que eu teria que voltar no posto de saúde para fazer uma nova ficha e marcar novo horário para terminar o tratamento. Fiz isso, mas até agora não me chamaram. Se demorar muito, vou ter que fazer outro canal.'' Segundo Roseli, o marido tem vários dentes precisando de atendimento, mas no CEO só foi feita uma limpeza.
O gerente em exercício do serviço de saúde bucal do município, Satílio Kasai, admite que uma parcela da população ainda enfrenta dificuldade para conseguir ser atendida. Ele ressalta, porém, que uma nova frente de atenção foi aberta, e que agora vários ajustes têm que ser feitos. ''Assim como quando Londrina iniciou os trabalhos de atenção à população infantil e teve que ir aperfeiçoando até tornar-se uma referência, o mesmo deverá ser feito com a população adulta'', compara Kasai. ''Temos uma demanda de anos que aflorou agora, e que precisamos enfrentar'', completa.
O CEO presta atendimento nas áreas de endodontia, prótese, periodontia e cirurgias, além de atender pacientes com necessidades especiais. Também são mantidos três profissionais para clínica geral. Ao todo, 12 dentistas e 12 auxiliares se revezam em dois turnos de atendimento, das 8 horas às 20 horas, em 10 consultórios, um centro cirúrgico e uma sala para radiografia.
Segundo Kasai, a maior demanda no CEO ainda é de clínica geral, que não é a finalidade do centro. ''Por isso temos o projeto de aumentar o número de equipes nas Unidades Básicas de Saúde para este tipo de atendimento na própria região onde os pacientes moram.'' O gerente informou que quatro novas equipes já estão aprovadas, só aguardando complementação do quadro de instrumentais clínicos e insumos. Entre os postos beneficiados deverão estar o do Novo Amparo (Zona Leste), Cabo Frio/Imagawa (Zona Norte) e Jardim do Sol (Zona Oeste).


