Fila de espera para aprender mandarim
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terça-feira, 15 de novembro de 2005
<br> Reportagem Local 
Aprender a ler e a escrever de novo. Este é o desafio que o advogado Marcelo Paulo Sautchuk Marchi, 38, o policial militar bombeiro Josué Augusto da Silva, 29 anos e a empresária Vanesa Lay, 27, estão enfrentando. E o desafio é duplamente difícil porque em vez das 23 letras do nosso alfabeto, eles têm que decorar 4 mil ideogramas só para ler jornal em mandarim, a língua oficial da China, falada por 1,3 bilhão de pessoas somente no território chinês.
Eles são alunos do Instituto de Línguas da Universidade Estadual de Maringá, que com apoio financeiro da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, iniciou uma turma de 20 alunos neste semestre. Durante três semestres e carga-horária de 180 horas, eles aprenderão o básico em relação a falar, ler e escrever no idioma mais pronunciado no planeta. Eles foram selecionados entre mais de 150 candidatos, demanda que obrigará o ILG a abrir, por conta própria, uma nova turma no primeiro semestre de 2006. Desta vez, com 16 alunos, no máximo.
O advogado Marcelo Marchi não esconde sua intenção de ampliar o trabalho de assessoria jurídica a empresas que exportam para o voraz mercado chinês. Marchi já presta consultoria na área de Direito Internacional a duas empresas que exportam grãos à terra de Mao Tse Tung. As empresas para as quais o advogado trabalha vendem muito, não só para a China, como também para Taipei, Taiwan, Hong Kong, onde o idioma de fácil compreensão é o mandarim, com suas óbvias modificações locais.
Embora negociações, correspondências, e-mails e contratos sejam em inglês, Marchi está convicto de que se comunicar no idioma do comprador traz mais afinidade entre as partes, transmite mais confiança e abre as portas para novos negócios. ''Quem vende precisa dessa vantagem competitiva para aumentar a credibilidade'', acentua o advogado. Ele pretende continuar estudando para se aperfeiçoar, depois que concluir o básico.
O interesse de Vanessa Lay pelo mandarim, não é comercial. Seus pais vieram de Taiwan há quase três décadas. Ainda hoje, donos de um posto de combustível em Marialva, 17 km de Maringá, eles encontram dificuldades para se expressar em português. ''É uma questão cultural. Preciso aprender a história de meus descendentes e isto inclui, naturalmente, falar a língua deles'', explica Lay, que cuida da parte financeira do negócio da família.
Formada em Administração de empresas, ela não descarta a possibilidade de utilizar o mandarim caso decida investir numa firma de exportação para os países asiáticos.
O bombeiro Josué Augusto da Silva já fala italiano, inglês e espanhol. Agora, é um dos alunos do curso de mandarim. Embora não tenha concluído o curso de Letras, sua paixão mesmo é aprender línguas estrangeiras.
Além de dar aulas de inglês e dominar mandarim, Silva tem planos de trabalhar em consultoria para empresas exportadoras. ''Independente disso, a cultura chinesa é muito rica. Não adianta conhecermos apenas sua filosofia, seus ensinamentos em medicina e em outras áreas. É fundamental conhecer seu idioma. Afinal, é assim que as pessoas se comunicam'', assegura.
Com facilidade para aprender línguas estrangeiras, o soldado-bombeiro pretende servir de intérprete a empresários paranaenses e orientais que precisam se comunicar com eficiência na língua dos compradores. Por isso, depois de terminada a carga-horária de 180 horas (as aulas acontecem das 19h30 às 21h de terça e quinta-feira), Josué vai arrumar um jeito para avançar no estudo do idioma chinês. Ele reconhece a complexidade de uma língua com mais de 4.000 ideogramas e a necessidade de se esforçar muito para dominar conversação, escrita e fonética produzida por sons estranhos aos ouvidos tupiniquins.


