Marta Medeiros
De Maringá
Mais de 60 pessoas, entre pais e parentes de crianças, estão dormindo desde a última sexta-feira à noite, no corredor do Colégio Estadual Oberon Floriano Dittert, instalado no câmpus da Universidade Estadual de Maringá. Eles tentam garantir 60 vagas divididas em duas turmas de pré-escola. As matrículas serão feitas hoje a partir das 8 horas. Os pais evitaram falar ontem com a reportagem da Folha. ‘‘Prefiro garantir a vaga a me indispor com a direção da escola’’, disse uma mãe que era a primeira da fila.
Segundo o secretário geral da escola, Edgar dos Reis, as vagas da pré-escola são disputadas porque garantem a continuidade do aluno na escola para as demais séries. Os critérios para a seleção das crianças são idade limite de seis anos até o dia 31 de dezembro e residência comprovada nos bairros próximos da UEM. A grande maioria das vagas, no entanto, atende a funcionários da própria instituição. O Colégio Oberon também recebe o nome de Colégio de Aplicação Pedagócia (CAP) da UEM.
Reis afirma que a qualidade de ensino no Oberon Dittert, tido como referência no Estado, colabora para a disputa no dia da matrícula. Ele diz que a escola não tem estrutura física para ampliar o número de vagas. Por causa do cronograma de matrícula estabelecido pelo Núcleo Regional de Educação, a direção do colégio não conseguiu evitar a formação de fila e pernoite. Os pais levaram colchões e cobertores e se instalaram em um corredor próximo ao acesso para a secretaria. Eles passaram o dia de ontem em diversas atividades como leitura e bordados.
Para o hialotécnico (que trabalha com o vidro) da Prefeitura do Campus da UEM, Sinésio Lopes da Silva, vale a pena o sacrifício de ‘‘apertar’’ os compromissos profissionais para garantir uma vaga no Oberon Dittert. ‘‘A UEM e o colégio não tem culpa desta situação’’, defendeu Silva. Ele disse que faz questão que seu filho de cinco anos entre na pré-escola do Oberon Dittert. Outros dois filhos já frequentam o colégio. ‘‘Além disso, a situação é muito difícil para pagar um pré-escola particular’’, reclamou o funcionário da UEM.

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