Exatamente no momento em que a Secretaria Municipal de Educação abre matrículas e se prepara para um novo ano letivo, um velho problema volta à tona: se fosse possível juntar os nomes numa só lista, seriam 3.500 crianças de zero a seis anos à espera de vagas em uma creche de Londrina. A estimativa, da Secretaria Municipal de Educação, é baseada nas listas de espera que as creches filantrópicas e municipais mantêm e que, frequentemente, superam a casa dos cem inscritos. E se o número parece excessivo, é bom frisar que ele pode ficar muito aquém da real necessidade do serviço.
Não está incluída nesta estimativa o que se costuma chamar de demanda represada: pais que diante da longa fila de espera simplesmente desistem; aqueles que recorrem aos cuidados de parentes e os que se submetem a pagar creches particulares por falta de opção.
Um estudo feito este ano pelo promotor de Justiça de Curitiba e Coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Proteção à Educação - Ministério Público do Paraná -, Cleyton Maranhão, concluiu que só em Londrina existe uma demanda não atendida de cerca de 25 mil crianças em idade de creche.
O promotor explica que o número é resultado de uma projeção baseada nos cálculos populacionais do IBGE, já descontadas as vagas oferecidas pela prefeitura e filantropia de Londrina. ''Mesmo que se deduza deste número as vagas oferecidas pela iniciativa privada e uma margem de erro de 20% ainda estamos falando que faltam mais de 15 mil vagas'', argumenta.
O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) não acredita que a demanda seja tão grande. Mas Télcia Lamônica de Azevedo Oliveira, presidente do órgão, também não considera real a estimativa da prefeitura. ''As listas de espera das creches não podem ser referência para uma estimativa de demanda porque não representam a real necessidade da população'', acredita.
Para a promotora de Justiça da Vara da Infância e da Juventude, Édina Maria Silva de Paula, os números apresentados pela promotoria de Curitiba se aproximam mais da realidade do que a estimativa da Secretaria da Educação. ''O problema não vem recebendo a prioridade que merece, nem investimentos capazes de impedir que ele aumente a cada ano'', enfatiza.
Do ponto de vista matemático, o estudo apresentado pelo promotor é perfeitamente coerente. Em 2002, um levantamento feito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) mostrou que 12 mil crianças em idade de creche não tinham acesso ao serviço por falta de vagas. Diante do fato a prefeitura assumiu o compromisso de criar 500 novas vagas em creches por ano. Hoje, as 66 creches de instituições filantrópicas e 11 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) oferecem, juntos, 7.280 vagas.
Em 2005 nasceram 3.157 crianças só na Maternidade Municipal Lucilla Ballalai - 2.946 delas de famílias que moram em Londrina. Das crianças londrinenses nascidas na maternidade municipal, 70% são de famílias com renda de até três salários mínimos. Considerando-se que pelo menos metade delas precisaria recorrer ao serviço dos CEIs filantrópicos ou municipais, chegamos a uma demanda nova em potencial de mais de mil vagas por ano - o dobro da criada pela prefeitura.
A cidade tem mais quatro maternidades. Duas delas, a do Hospital Universitário e a do Hospital Evangélico, também atendem pelo SUS.

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