Figurinhas para socializar
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quarta-feira, 07 de julho de 2010
Carlos Eduardo Kiatkoski Especial para a FOLHA 
Curitiba - Muitas pessoas aproveitam a época da Copa do Mundo para dar início a coleções, sejam elas de álbuns ou minibolas relacionadas ao evento. Uma febre que atinge pessoas de todas as idades, e ao contrário do que se imagina, não está limitada somente ao sexo masculino. Mulheres também gostam de colecionar e, porque não, trocar algumas figurinhas.
A prática de troca de figurinhas é saudável e ensina valores e limites às crianças, como afirma a psicóloga e mestre em infância e adolescência, Patricia Guillon Ribeiro. ''A troca favorece a aprendizagem de uma série de conhecimentos. Além de ajudar a reconhecer o outro.''
Patricia salienta que é em casa que os pequeninos aprendem a se portar frente à sociedade. E que a escola deve somente reforçar os valores. Experiências como essas de troca de figurinhas ajudam a reforçar alguns aprendizados. ''É importante que os pais parem para escutar, isso ajuda reforçar o que foi aprendido'', lembra.
Quando não ocorre essa interação, a criança torna-se mais tímida, acanhada, e passa a depender dos pais ou de outros colegas para que façam trocas por ela. Além de tornar-se um adulto que não sabe dizer não. Crianças acompanhadas dos pais têm, no entanto, uma relação mais afetiva.'' Com os pais mais participativos a criança se arrisca mais, elas são mais acertivas, empáticas'', aponta a psicóloga.
Lucas Alexandre dos Santos, 14 anos, sempre colecionou álbuns de futebol e pela primeira vez comprou um livro ilustrado oficial. ''Vou guardar para poder comparar com as próximas copas'', disse. Ele troca a maior parte de suas figurinhas na escola e na rua perto de sua casa.
É a primeira copa para Gabriel Henrique, que pediu para a mãe Tatiane Maria Oliveira comprar o livro ilustrado. ''Os coleguinhas sempre falavam do álbum, e das figurinhas'', comenta a mãe. Tatiane não só comprou o livro ilustrado, ela faz todas as trocas para o menino. Segundo ela, Gabriel gosta de colar e ver as páginas prontas. A reportagem entrevistou os colecionadores na Arena Coca-Cola Copa do Mundo Fifa 2010. A estrutura está montada no ParKShoppingBarigui.
Bafo
Além das trocas, o colecionador pode também participar de jogos para aumentar seu acervo. O jogo mais comum é o bafo, que consiste em virar a figurinha em disputa apenas com uma das mãos. As regras podem variar de grupo para grupo. A mais comum é a de poder usar apenas uma das mãos, essa não pode em momento algum do jogo estar molhada ou com qualquer substância grudenta. Esse tipo de jogo também ajuda na socialização da criança, além de também ajudar no desenvolvimento da coordenação motora fina.
Diego Marinelli e Felipe Martins, ambos de 20 anos, aproveitam os momentos de folga para jogar algumas partidas de bafo. ''Vale pra descontrair um pouco'', comenta Martins.


