Até 2020, a expectativa de investimentos alinhados à exploração do petróleo oriundo do pré-sal brasileiro bate na sifra dos US$ 400 bilhões, apenas por parte da Petrobrás. No Paraná, existe reserva que atravessa o litoral e chega até Santa Catarina mas ainda não é comercialmente viável. Tal situação, no entanto, não exclui o Estado de conseguir uma fatia importante deste bolo de dólares. Tanto que o empresariado estadual já se articula para garantir um papel como coadjuvante de peso nesta festa, buscando um espaço, por exemplo, como base logística estratégica para o óleo extraído da vizinha Bacia de Santos, uma das maiores do país.
Um dos principais fóruns de discussão e de garimpagem de oportunidades tem sido a Câmara de Petróleo e Gás, criada pela Federação da Indústria do Estado do Paraná (Fiep) em 2009. ''Percebemos que o Estado tem uma posição estratégica importantíssima nessa cadeia'', destaca o secretário-executivo da Câmara e especialista em petróleo e gás, Jean Alberini. Ele observa que a ampliação do debate é fundamental para garantir uma maior participação de empresas paranaenses.
Alberini avisa que é urgente a necessidade de articulações estratégicas entre todos os atores da cadeia porque as perspectivas são as melhores possíveis e as demandas já estão presentes. ''Temos um grande desafio de desenvolver essa expertise e preparar o empresariado paranaense para este mercado'', complementa. Ele cita como exemplo que só na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, foram investidos cerca de US$ 10 bilhões nos últimos anos e muito pouco disso teria ficado com empresas do Paraná.
O especialista lembra que no litoral do Estado não há reservas petrolíferas comercialmente exploráveis. No entanto, ele afirma o Paraná pode ser um parceiro de peso do País servindo como base logística para a produção petrolífera do pré-sal da Bacia de Santos. No litoral pode se desenvolver a indústria naval, de suporte para a indústria petrolífera. As universidades têm condições de produzir conhecimento e pesquisas, além de se tornarem centros de excelência em tecnologia na área de petróleo e gás. Alberini avança dizendo que aponta que a cadeia é muito ampla e as oportunidades se multiplicam em outras diversas frentes. ''É uma área muito diversificada e catalisadora de desenvolvimento. Há serviços que vão de produção de parafusos até equipamentos de alta densidade tecnológica. Existem demandas desde fornecimento de marmita para funcionários até análises na área sísmica e geológica.''
E o volume de recursos previsto para esta próxima década é gigantesco. Alberini comenta que apenas a Petrobrás deverá investir até US$ 400 bilhões. ''Se conserguimos nos apropriar, por exemplo, de US$ 100 bilhões, imagine qual o impacto que teria em nossa economia?'' Até 2014, a Repar informa que deverá investir quase US$ 5 bilhões. Conforme Alberini, em termos de geração de empregos, tal montante poderá abrir cerca de oito mil postos de trabalho diretos e indiretos.
Mas para o Paraná entrar com força nesta cadeia produtiva, a Câmara elenca uma série de ações urgentes. É preciso investir na qualificação de mão de obra, em inovação e tecnologia, na qualificação e capacitação de fornecedores, em políticas públicas específicas e em captação e fomento de recursos e projetos.

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